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Nióbio e terras raras: o que são os minerais estratégicos que despertam o interesse dos EUA pelo Brasil

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Com a proximidade da entrada em vigor de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos, o debate sobre os chamados minerais críticos e estratégicos voltou ao centro das atenções. Mais do que uma disputa comercial, o tema envolve uma corrida global por recursos essenciais para o futuro da tecnologia, da transição energética e até da segurança nacional.

Durante reunião nesta semana com representantes do setor de mineração brasileiro, o encarregado de negócios da embaixada americana no Brasil, Gabriel Escobar, sinalizou o interesse dos Estados Unidos em um acordo comercial com foco no acesso a recursos como nióbio e terras raras. A movimentação ocorre dias antes das novas tarifas entrarem em vigor, no dia 1º de agosto.

Mas o que são esses minerais e por que eles despertam tanto interesse geopolítico?

O que são terras raras e por que elas são tão valiosas

Apesar do nome, as terras raras não são exatamente escassas na natureza — mas são difíceis de extrair em estado puro e de forma economicamente viável. O grupo inclui 17 elementos químicos usados em quantidades pequenas, mas com um impacto gigantesco no mundo moderno.

Eles são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes, usados em motores elétricos, turbinas eólicas, veículos elétricos, smartphones, notebooks, equipamentos médicos, câmeras digitais, painéis de LED e armamentos militares.

Por serem essenciais e praticamente insubstituíveis, o valor comercial é alto. O quilo de neodímio e praseodímio — dois dos mais usados em ímãs — custa cerca de 55 euros (R$ 353). O térbio, ainda mais raro, pode ultrapassar os 850 euros (R$ 5.460) por quilo. Para efeito de comparação, o minério de ferro custa cerca de R$ 0,60 o quilo.

Nióbio: o trunfo brasileiro

O nióbio é outro mineral estratégico — e o Brasil detém um domínio quase absoluto. Mais de 90% da produção mundial está concentrada em território brasileiro. O metal é usado principalmente para reforçar ligas metálicas aplicadas nas indústrias aeroespacial, automotiva e de construção civil.

A leveza e resistência do nióbio tornam possível, por exemplo, fabricar componentes mais seguros e duráveis em aviões e carros. Apesar de seu potencial, o nióbio ainda é subaproveitado comercialmente no Brasil, o que aumenta o interesse internacional sobre seu uso.

Onde estão essas riquezas no Brasil

Estudos já identificaram indícios de reservas estratégicas na Bacia do Parnaíba, que abrange áreas dos estados do Maranhão, Piauí e Ceará. Além disso, o Brasil reivindica a Elevação do Rio Grande (ERG), uma formação geológica submersa do tamanho da Espanha, localizada a cerca de 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul. A região é considerada promissora na presença de minerais valiosos.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, representando cerca de 25% do território prospectado até agora.

O Brasil na disputa global por minerais críticos

Esses recursos tornaram-se ativos estratégicos no século 21. A transição global para tecnologias mais limpas e eficientes — como os veículos elétricos e as fontes de energia renovável — depende diretamente desses minerais. Eles também são fundamentais para aplicações militares e espaciais, o que os transforma em peças-chave na geopolítica internacional.

Os Estados Unidos já firmaram acordos com a China e a Ucrânia para garantir o fornecimento desses materiais. Em abril, a Casa Branca assinou com Kiev um acordo para exploração de terras raras em áreas sob risco de ocupação russa. Já em junho, após um período de tensão, EUA e China chegaram a um novo entendimento para retomar o fornecimento de ímãs e elementos críticos.

Agora, o foco recai sobre o Brasil.

O que o governo brasileiro diz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que não aceitará pressões externas sobre o controle desses recursos. “Aqui, ninguém põe a mão”, disse Lula em entrevista na última quinta-feira. Já o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, reconheceu a relevância do setor minerário, mas evitou confirmar qualquer negociação com os EUA: “É um setor com muito a explorar e avançar”.

Além das reservas, o Brasil conta com vantagens comparativas importantes: matriz energética limpa, território politicamente estável, tradição mineradora e capital técnico qualificado.

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