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🧡 Ver Ofertas na ShopeeO arquiteto e urbanista chinês Kongjian Yu, considerado um dos maiores nomes da arquitetura sustentável do mundo e criador do conceito de “cidades-esponja”, morreu na noite de terça-feira (23) em um acidente de avião no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Outras três pessoas também morreram: o cineasta Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz, o diretor de fotografia Rubens Crispim Jr. e o piloto Marcelo Pereira de Barros.
A aeronave de pequeno porte caiu por volta das 18h30 na região da Fazenda Barra Mansa, a cerca de 110 km do município de Aquidauana. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 20h10 e encontrou as quatro vítimas sem vida. Segundo a corporação, o acidente ocorreu no momento em que o avião realizaria o pouso. A operação de resgate durou cerca de nove horas devido à distância e às condições de acesso ao local.
Kongjian Yu, de 62 anos, era professor da Universidade de Pequim e diretor do escritório de arquitetura paisagística Turenscape, fundado em 1998. Formado pela Universidade Florestal de Pequim e doutor pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, Yu ganhou projeção internacional ao desenvolver o conceito de “cidades-esponja”, voltado para tornar os espaços urbanos capazes de absorver, armazenar e reutilizar a água da chuva.
O modelo surgiu como resposta ao crescimento urbano acelerado e às mudanças climáticas, que aumentam a ocorrência de enchentes. Segundo Yu, ruas, praças, telhados e áreas públicas devem incorporar soluções naturais de drenagem, como jardins alagáveis, pavimentos permeáveis e parques inundáveis, que funcionam como esponjas, armazenando o excesso de água durante tempestades e liberando-o gradualmente.
O conceito se fortaleceu na China após as enchentes de Pequim em 2012, que mataram quase 80 pessoas. Yu criticava a dependência excessiva de infraestrutura de concreto e canais artificiais, defendendo que as cidades modernas precisavam reaprender a conviver com a água.
Recentemente, Yu esteve no Brasil para participar da 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, realizada no Parque Ibirapuera, e palestrou na abertura do evento, no último dia 19 de setembro. Depois, viajou ao Pantanal para gravar um documentário sobre cidades-esponja com o cineasta Luiz Ferraz.
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU-BR) lamentou a morte do arquiteto. “Sua obra deixa um legado de compromisso com a sustentabilidade, a paisagem e a vida urbana. O CAU/BR se solidariza com a família, amigos e colegas do arquiteto”, disse a presidente do conselho, Patrícia Sarquis Herden.
Yu deixa um legado de projetos aplicados em mais de 70 cidades chinesas, que hoje absorvem grandes volumes de água pluvial e contribuem para a redução de enchentes, melhoria da qualidade da água e criação de espaços urbanos mais verdes e habitáveis.






















































