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O estudante de medicina Edcley Teixeira está no centro de uma investigação da Polícia Federal após divulgar, em março deste ano, oito meses antes da prova, respostas de questões de Matemática que acabaram caindo no Enem 2025. As mensagens, enviadas em um grupo de WhatsApp com alunos da sua mentoria, indicavam as respostas corretas para duas perguntas da prova, que caíram em novembro, pouco antes do exame oficial.
Nesta terça-feira (25), o portal g1 revelou novas mensagens de Edcley, nas quais ele exibia as respostas de duas questões que, meses depois, integrariam a avaliação. Entre os itens compartilhados estavam cálculos envolvendo probabilidade e concentração de soluções químicas. Em março, ele já havia enviado:
- Questão sobre probabilidade de lançamento de dados: resposta correta “125/216”
- Questão sobre mistura de água e solução de cloro: resposta correta “5”
Após a aplicação do Enem, Edcley comemorou com os alunos da sua mentoria: “Olha isso!!! Sei que todos vocês acertaram”, em referência à questão de lançamento de dados, e destacou que a outra questão também estava em PDFs de pré-teste que ele disponibilizou. Ele também divulgou, em live no YouTube realizada dias antes do exame, cinco questões muito semelhantes às oficiais.
Segundo o estudante, a obtenção das questões se deu a partir do Prêmio Capes de Talento Universitário, concurso do Ministério da Educação voltado a alunos do primeiro ano de graduação, no qual algumas perguntas do Enem já são pré-testadas. Com base nisso, Edcley teria pago ao menos R$ 10 por pergunta memorizada pelos participantes da sua iniciativa. Ele cobra R$ 1.320 por aluno na mentoria, oferecendo assessoria e apostilas, com propaganda que promete “Novas questões pré-testadas que podem cair no Enem!!”.
Apesar das evidências, o Inep mantém as questões válidas e informou que nenhuma outra pergunta do Enem será anulada. “A avaliação técnica da autarquia é a de que a eventual memorização parcial e aleatória entre as milhares de questões pré-testadas para o Enem nos últimos anos não compromete a integridade do exame”, afirmou o órgão em nota.
Edcley, em entrevista ao programa Fantástico no último domingo (23), negou ter cometido fraude ou ter conhecimento prévio do que cairia na prova, classificando o episódio como uma “coincidência”. À TV Globo, ele explicou que conheceu as perguntas por meio do concurso do MEC e que apenas utilizava o material para sua mentoria, sem má-fé.
No fim de semana, a Polícia Federal apreendeu o celular e o notebook do estudante para investigação, enquanto o caso segue sob apuração.