Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
Um estudo divulgado nesta quarta-feira (26) pelos movimentos Pessoas à Frente e República.org aponta que o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking internacional de supersalários entre 10 países com características sociais e culturais semelhantes. O levantamento identificou 53.488 servidores públicos recebendo acima do teto constitucional de R$ 46.366,19, a partir de uma amostra de 4 milhões de salários analisados.
A Argentina aparece em segundo lugar, com cerca de 27 mil funcionários recebendo mais do que o salário do presidente. Os Estados Unidos ocupam a terceira posição, com 4.081 casos.
Magnitude dos supersalários
Segundo o estudo, os supersalários brasileiros consumiram R$ 20 bilhões entre agosto de 2024 e julho de 2025. A maior parte desse montante está concentrada no Poder Judiciário: 79,9% dos juízes recebem acima do teto.
Entre os integrantes do Ministério Público, o índice é de 70,4%, e nas carreiras da Advocacia-Geral da União (AGU), 59,4% ultrapassam o limite constitucional.
O documento destaca que 75% dos magistrados brasileiros estão entre o 1% mais rico do país, grupo formado por profissionais que recebem ao menos R$ 685 mil por ano. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registra atualmente 18.987 juízes em atividade no Brasil.
O estudo ainda revela que quase 11 mil magistrados receberam mais de US$ 400 mil no período analisado — valor, ajustado pela paridade de poder de compra (PPP), superior ao salário pago a juízes de 7 dos 10 países comparados.
Desigualdade e impacto no orçamento público
Para a diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente, Jessika Moreira, o avanço dos supersalários provoca um desgaste institucional e compromete a capacidade de investimento do Estado:
“Vem sendo realizada uma corrida para receber salários além do teto. Isso tem um efeito desmoralizante sobre a legitimidade do Estado e amplia a desigualdade remuneratória. O Brasil precisa de uma resposta efetiva para frear esse fenômeno”, afirma.
Atualmente, a mediana da renda anual brasileira é de cerca de R$ 28 mil, o que evidencia a disparidade entre a remuneração da elite do funcionalismo e a realidade econômica da maioria da população.
O estudo aponta ainda que quase 40 mil servidores públicos recebem mais de R$ 685 mil por ano, colocando-os entre os mais ricos do país. Quase metade desse grupo (49,8%) pertence à magistratura, enquanto 21,1% integra o Ministério Público.
Reformas são consideradas urgentes
Para Ana Pessanha, especialista da República.org, o gasto brasileiro com supersalários é desproporcional quando comparado a países desenvolvidos e emergentes:
“Os servidores precisam receber de forma justa e sustentável, mas não é aceitável que a sociedade financie o enriquecimento de uma pequena elite que compromete a boa imagem do serviço público”, afirma.