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A Polícia Civil do Amazonas (PCAM) investiga a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, ocorrida na madrugada de domingo (24/11) após receber uma dose de adrenalina na veia (endovenosa) em um hospital de Manaus. A médica responsável pela prescrição, Juliana Brasil Santos, admitiu o erro em mensagens internas, e o caso é investigado como homicídio doloso qualificado.
Benício havia sido levado ao hospital no fim de semana anterior com tosse seca e suspeita de laringite.
De acordo com o relato dos pais, o garoto morreu após receber uma dosagem incorreta do medicamento. A médica da unidade teria prescrito lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina de 3 miligramas cada, a serem aplicadas de forma endovenosa (na veia), de 30 em 30 minutos. A técnica de enfermagem Raiza Bentes afirmou em depoimento que apenas seguiu a prescrição médica, aplicando a medicação de forma intravenosa e sem diluição.
A dose de adrenalina na veia (EV) teria sido fatal. Em mensagens divulgadas pela imprensa local, a médica Juliana Brasil Santos reconheceu o equívoco ao diretor de plantão:
“O paciente desmaiou. Pelo amor de Deus. Eu errei a prescrição,” escreveu a médica. “Prescrevi inalação com adrenalina e acabaram fazendo ‘ev’ (endovenosa). O paciente está passando mal, ficou todo amarelo. Pede para alguém da UTI descer. Urgente,” disse a profissional.
A médica também reconheceu formalmente o erro de prescrição no relatório do hospital enviado à Polícia Civil.
Os pais relataram ao g1 que chegaram a questionar a técnica de enfermagem ao ver a prescrição, e que, logo após a primeira aplicação, Benício apresentou piora súbita.
Em entrevista ao portal Imediato Online, a mãe do garoto acusou a médica de negligência:
“Ela não sabia o que fazer, não saía do telefone. A impressão que passava para a gente é que alguém estava a orientando pelo telefone, porque ela não sabia como agir,” relatou a mãe.
A defesa da médica nega a acusação e afirma que ela prestou atendimento imediato, solicitando um antídoto. Contudo, médicos ouvidos no inquérito informaram que não há medicação capaz de neutralizar uma overdose de adrenalina, sendo possível apenas oferecer suporte clínico.
A médica Juliana Brasil Santos responderá as investigações em liberdade, após a Justiça conceder um habeas corpus preventivo. O pai de Benício, Bruno Freitas, resumiu a busca da família: “Há detalhes conflitantes. Nós só estamos buscando a verdade, a justiça. Quem está errado, que sofra as consequências.”