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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou que há “fortes indícios” de participação do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), em uma organização criminosa. A avaliação consta na decisão que determinou sua prisão preventiva e o afastamento imediato do cargo.
Bacellar foi preso na manhã desta quarta-feira (3) durante nova fase da investigação sobre o suposto vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, da Polícia Federal (PF). A operação teve como principal alvo o deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, detido em setembro por suspeita de atuar em favor do Comando Vermelho.
Na decisão, Moraes escreveu que Bacellar teria atuado de forma ativa para obstruir investigações envolvendo facções criminosas e para interferir em ações de combate ao crime organizado, inclusive “com influência no Poder Executivo Estadual”.
Um trecho da investigação da PF afirma que as movimentações reveladas expõem “uma teia de interações e relacionamentos escusos” dentro de órgãos públicos, indicando a existência de “um verdadeiro estado paralelo, capitaneado pelos capos da política fluminense”, que atuariam nos bastidores para inviabilizar operações policiais contra grupos criminosos violentos, como o Comando Vermelho.
De acordo com a PF, após conseguir um novo celular, TH Jóias entrou em contato com Bacellar chamando-o de “01” e avisando que estava utilizando um novo número. Segundo os investigadores, Bacellar respondeu com uma figurinha, o que sugeriria que ele já sabia da troca de aparelho, interpretado pelos policiais como um indício de proximidade e comunicação frequente entre os dois.
TH Jóias é investigado por ligações com facções criminosas desde 2017 e foi preso em setembro por tráfico, corrupção e lavagem de dinheiro.
Na decisão, o ministro também destacou a infiltração de facções criminosas em estruturas do poder público, mencionando avanços em câmaras municipais, na Assembleia Legislativa e até no governo federal ao longo dos últimos anos.
Com o afastamento e a prisão, Bacellar passa a responder às investigações sem exercer o comando da Alerj. A defesa dele ainda não se manifestou.