Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
A Polícia Civil deflagrou, nesta segunda-feira (8), uma operação nacional contra suspeitos de comercializar medicamentos usados em procedimentos de aborto e oferecer “assessoramento técnico” para a prática, por meio de grupos formados em redes sociais. As ações ocorreram simultaneamente em cidades de sete estados e no Distrito Federal.
As investigações são conduzidas pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, após o caso vir à tona quando uma mulher de Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, comprou o medicamento de forma ilegal e contratou o serviço de orientação. Sem acompanhamento adequado, ela passou mal e precisou ser hospitalizada.
Operação em sete estados e no DF
Foram cumpridas ações nos seguintes locais:
-
Paraíba: João Pessoa
-
Goiás: Goiânia e Valparaíso
-
Rio de Janeiro: Nova Iguaçu
-
Espírito Santo: Aracruz
-
Bahia: Irecê e Itaguaçu
-
Minas Gerais: Santos Dumont
-
Distrito Federal: Brasília
Até o momento, três pessoas foram presas em flagrante por tráfico de drogas. Uma delas estava com unidades do medicamento utilizado para aborto.
Segundo a investigação, o grupo criminoso era especializado no tráfico de misoprostol, substância conhecida comercialmente como Cytotec, proibida no Brasil para fins abortivos. A quadrilha utilizava grupos de mensagens para oferecer o medicamento e orientar mulheres sobre como utilizá-lo, em troca de pagamento.
A delegada Karoline Calegari, responsável pelo caso, afirmou que mais de 250 mulheres participavam do grupo online, o que indica a possível dimensão do lucro obtido pelos investigados.
De acordo com a Polícia Civil, os administradores do grupo eram os únicos autorizados a realizar a venda e acompanhar o uso do medicamento. Eles estavam distribuídos entre Paraíba, Goiás, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
Além da venda ilegal do Cytotec, os suspeitos também ofereciam uma espécie de “assessoramento técnico”, com instruções sobre o uso do remédio ao longo do procedimento abortivo. As mensagens trocadas nos grupos indicam a existência de uma tabela de preços tanto para o medicamento quanto para o serviço de orientação.
A Polícia Civil destacou que o misoprostol é um medicamento de controle especial no Brasil e só pode ser utilizado em ambiente hospitalar, exclusivamente em situações previstas por lei. O uso doméstico e sem acompanhamento médico representa risco grave à saúde.
Próximos passos
As investigações continuam para identificar outros integrantes da organização e apurar a participação de cada suspeito. A Polícia Civil também trabalha para localizar possíveis intermediários e verificar se há ramificações do grupo em outros estados.