Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (23) a Operação Barco de Papel, que tem como principais alvos integrantes da cúpula do Rioprevidência, órgão responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro. A ação investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo aplicações no Banco Master, instituição liquidada em novembro após apurações que indicaram graves irregularidades contábeis.
Ao todo, a PF cumpre quatro mandados de busca e apreensão, expedidos contra dirigentes e ex-dirigentes da autarquia previdenciária, além da própria sede do Rioprevidência.
Os investigados
Os alvos centrais da operação são:
-
Deivis Marcon Antunes, diretor-presidente do Rioprevidência;
-
Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos;
-
Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-diretor de investimentos interino;
-
Rioprevidência, com buscas realizadas na sede da instituição.
Segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram início em novembro do ano passado e buscam apurar se a direção da autarquia expôs recursos destinados a aposentados e pensionistas a risco elevado e incompatível com a finalidade previdenciária.
Aplicações sob suspeita
Os investigadores analisam nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, período em que cerca de R$ 970 milhões do Rioprevidência foram aplicados em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, sem garantias reais de retorno.
As buscas ocorreram nas residências dos investigados e no prédio da autarquia. De acordo com a PF, há indícios de que as operações foram conduzidas de forma irregular e colocaram em risco o patrimônio do fundo previdenciário fluminense.
Perfis dos alvos
Deivis Marcon Antunes, atual presidente do Rioprevidência, é formado em Direito pela PUC-PR e construiu sua carreira no setor de previdência complementar e governança corporativa. Ele assumiu o comando da instituição em 2023, período em que parte relevante das aplicações investigadas foi realizada.
Já Eucherio Lerner Rodrigues deixou o cargo de diretor de investimentos antes do início das aplicações no Banco Master. A função passou a ser ocupada interinamente por Pedro Pinheiro Guerra Leal, em março de 2023, justamente no mesmo mês em que a autarquia começou a investir nas letras financeiras do banco posteriormente liquidado.
Crimes investigados
A Polícia Federal apura a possível prática de crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo:
-
gestão fraudulenta;
-
desvio de recursos;
-
indução em erro de repartição pública;
-
fraude à fiscalização ou ao investidor;
-
associação criminosa;
-
corrupção passiva.
Contexto: o caso Banco Master
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, após investigações apontarem que a instituição utilizava créditos fictícios e complexas triangulações financeiras para inflar artificialmente seu patrimônio e esconder um colapso de liquidez.
Segundo as apurações, o esquema envolvia a emissão de títulos falsos, a venda de carteiras de crédito inexistentes a outras instituições — como o banco público BRB — e a captação de recursos com taxas de juros consideradas insustentáveis pelo mercado.
A liquidação do banco ainda será analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), mas o próprio tribunal já indicou que não há possibilidade de reversão da medida.