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Brasil segue como o país mais perigoso para pessoas trans em 2025; saiba quais estados lideram em número de assassinatos

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Um dossiê que será divulgado nesta segunda-feira (26) pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) aponta que ao menos 80 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil em 2025. Apesar de o número representar uma queda de 34,4% em relação às 122 mortes registradas em 2024, a entidade alerta que o país segue, pelo 17º ano consecutivo, como o mais perigoso do mundo para essa população.

De acordo com o levantamento, a vítima mais jovem tinha 13 anos. O perfil predominante dos assassinatos envolve jovens trans negras, empobrecidas, nordestinas, mortas principalmente em espaços públicos e, em muitos casos, com requintes de crueldade.

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Estados com mais registros

Ceará e Minas Gerais lideram o ranking, com oito mortes em cada estado. Em seguida aparecem Bahia e Pernambuco, com sete casos cada. Maranhão, Pará e Goiás registraram cinco assassinatos cada um. Já Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte e São Paulo contabilizaram quatro mortes.

Outros estados, como Mato Grosso, Rio de Janeiro, Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, tiveram três registros cada. Amazonas, Amapá, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul aparecem com um caso. Em Acre, Rondônia, Tocantins, Roraima e Piauí, não foram encontrados registros, dado que a Antra ressalta não representar ausência de violência, mas possível apagamento estatístico.

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Do total de vítimas em 2025, 77 eram travestis ou mulheres trans/transexuais, e três homens trans ou pessoas transmasculinas.

Subnotificação e invisibilidade

O dossiê foi elaborado a partir de reportagens, redes sociais e fontes não governamentais, já que, segundo a Antra, o Estado brasileiro ainda não produz dados oficiais com recorte de identidade de gênero. A entidade reconhece um alto risco de subnotificação.

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“A ausência de registros em determinados estados está diretamente relacionada à subnotificação estrutural, à invisibilidade das identidades trans nos boletins de ocorrência e à recusa institucional em reconhecer crimes como transfóbicos”, afirma a presidente da Antra, Bruna Benevides. Segundo ela, em regiões onde a cobertura jornalística é menor ou a estrutura institucional é mais precária, as mortes acabam não entrando nos levantamentos.

A associação também aponta que nomes civis incorretos, gênero errado ou a não caracterização como crime de ódio dificultam a identificação dos casos. “Quando o Estado não produz dados, ele também não assume responsabilidade”, ressalta Benevides.

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Perfil das vítimas

Entre os casos em que foi possível identificar raça ou cor, 70% das vítimas eram pessoas trans negras. A maioria tinha entre 13 e 29 anos e vivia em contexto de alta vulnerabilidade social, muitas vezes recorrendo ao trabalho sexual como fonte de renda.

Um dado que chama atenção é a interiorização da violência: 67,5% dos assassinatos ocorreram em cidades do interior, contra 32,5% nas capitais, o que dificulta ainda mais o acesso a redes de apoio e a documentação dos crimes.

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Caso emblemático

Entre as vítimas de 2025 está Alice Martins Alves, de 23 anos, espancada ao sair de um bar na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Segundo a polícia, ela teria esquecido de pagar uma conta de R$ 22 e foi perseguida e agredida por dois funcionários do local.

Por que a queda não indica melhora

O dossiê dedica um capítulo para explicar que a redução no número de registros não significa diminuição real da violência. Entre os fatores apontados estão a falta de sistemas oficiais, a redução da cobertura da mídia tradicional, o controle de conteúdos nas redes sociais, ataques a organizações da sociedade civil, além do medo, do isolamento e da desconfiança nas instituições por parte da população trans.

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Medidas necessárias

Para enfrentar o cenário, a Antra defende a adoção de políticas públicas integradas, como a produção de dados oficiais com recorte de identidade de gênero, a formação das forças de segurança, investigação adequada dos crimes, responsabilização dos autores, políticas de inclusão social e ampliação do acesso a trabalho, saúde e educação, além do enfrentamento direto à transfobia institucional.

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