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Uma reunião fechada no Supremo Tribunal Federal (STF) que resultou na saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do chamado “caso Master” desencadeou uma crise interna na Corte após o vazamento de trechos literais dos diálogos entre os magistrados. A transcrição foi divulgada pelo Poder360 e provocou perplexidade e desconforto entre os integrantes do tribunal, conforme relatou o jornal Folha de S. Paulo, nesta sexta-feira (13).
Segundo ministros ouvidos reservadamente pelo veículo, há a suspeita de que o encontro tenha sido alvo de gravação clandestina. A reportagem apresenta falas atribuídas aos magistrados de forma detalhada, o que reforçou a desconfiança interna. Alguns ministros chegaram a encaminhar o conteúdo a Toffoli, apontando a possibilidade de que o registro tenha partido dele. O magistrado negou qualquer participação. “Não gravei e não relatei nada para ninguém”, afirmou. Ele também levantou a hipótese de que algum funcionário do setor de informática possa ter feito a gravação.
O conteúdo divulgado indica que a reunião teve forte carga política e envolveu discussões sobre a imagem institucional do STF. De acordo com a publicação, parte dos ministros manifestou apoio a Toffoli, enquanto outros defenderam a necessidade de preservar a credibilidade da Corte.
O ministro Gilmar Mendes teria atribuído a ofensiva contra Toffoli a um suposto descontentamento da Polícia Federal com decisões tomadas pelo colega no âmbito do caso. Já Cármen Lúcia teria mencionado críticas da população ao Supremo e defendido uma reflexão sobre a “institucionalidade”, apesar de declarar confiança no ministro.
Também segundo a reportagem, Luiz Fux manifestou apoio direto a Toffoli, afirmando confiar em sua palavra. O ministro Nunes Marques classificou o relatório que embasou a discussão como “um nada jurídico” e criticou a possibilidade de votação sobre a suspeição. André Mendonça questionou a existência de relação íntima atribuída a Toffoli, enquanto Cristiano Zanin e Flávio Dino fizeram duras críticas ao relatório da Polícia Federal, classificando-o como inconsistente.
O presidente da Corte, Edson Fachin, foi citado nas discussões por ter recebido o documento da Polícia Federal que culminou na saída de Toffoli da relatoria.
Apesar das manifestações de apoio registradas na reunião, os ministros concluíram que o afastamento de Toffoli seria a melhor solução para o tribunal naquele momento. Nos bastidores, a principal preocupação agora é a quebra de confiança entre os integrantes da Corte.