Luiz Molição, Glenn Greenwald e Walter Delgatti

Sem muito alarde, a Polícia Federal está desbaratando a quadrilha responsável pela invasão das comunicações privadas de dezenas de autoridades e por fornecer o material roubado a um site que, se utilizando de uma parte selecionada desse material, tem atuado há meses com o propósito de desacreditar a Operação Lava Jato:

após as primeiras quatro prisões realizadas em Julho, outras duas efetuadas em Setembro contribuem para que o quebra-cabeças vá sendo, aos poucos, montado.

O estudante Luiz Henrique Molição, 19, um dos últimos a ser preso e que se encontra sob custódia na carceragem da PF em Brasília, segundo investigações, é tido como responsável por fazer os contatos com o jornalista Glenn Greenwald, a pedido do hacker Walter Delgatti Neto.

Molição teria sido incumbido de falar com Glenn porque Delgatti se desentendia com o jornalista quanto a pagamentos e não compreendia bem seu sotaque” — informa a reportagem da Folha de S. Paulo de ontem, 06 de Outubro:

e é de se comemorar que o jornal, um dos parceiros de Glenn Greenwald naquilo que ficou conhecido como “Vaza Jato”, finalmente esteja se dando conta que há bem mais do que “jornalismo investigativo” e “amor à verdade” nessa história.

Glenn segue negando enfaticamente que tenha feito qualquer tipo de pagamento pelo material roubado; a PF detectou transferências bancárias suspeitas entre Delgatti e outros envolvidos.

Enquanto isso, o The Intercept segue tentando convencer a todos de que as mensagens roubadas provam que juiz e procuradores atuaram de forma antiética e abusiva na condução dos processos;

mas, atenção: apenas nos processos relacionados ao ex-presidente Lula (até o momento, não se encontrou nenhum indício de abuso na condenação, por exemplo, do ex-deputado Eduardo Cunha, que segue preso em Curitiba, sem que ninguém se importe com ele).

As investigações prosseguem e o resultado mais provável é aquele que já se prenuncia:

um bandidinho (Delgatti), estelionatário e fraudador, com a ajuda de parceiros (entre eles Molição) aprendeu como invadir contas do aplicativo Telegram e interceptou comunicação de uma autoridade, depois outra e depois mais uma, até chegar a integrantes da Lava Jato; considerando que poderia ganhar dinheiro com aquilo, logo pensou em um jornalista de esquerda (Glenn), ao qual chegou com o auxílio de uma das hackeadas (Manuela D’Ávila).

A se confirmar, restará apenas provar (ou não) que Glenn (ou outra pessoa através dele) pagou pelo material roubado; ou – o que seria muito pior – se o roubo (ou parte dele) foi feito sob encomenda.

E sobre as teorias surgidas, tempos atrás, no Twitter, a respeito de um intrincado esquema internacional, envolvendo um poderoso hacker russo e um vultoso pagamento em bitcoins convertido para rublos, você pode esquecer:

isso foi inventado e plantado por uma fabriquinha de desinformação que atua nas redes sociais, da qual todo mundo mais ou menos sabe quem está por trás (embora ninguém prove).

Os russos eram de Araraquara, Ribeirão Preto e Sertãozinho.

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