O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, durante cerimônia de inauguração do Aeroporto Glauber Rocha, em Vitória da Conquista (BA).

Pela primeira vez, o Plano Decenal de Energia (PDE) trouxe a indicação de possíveis usinas nucleares no Brasil além de Angra 3. Por serem previstos para além do horizonte de dez anos, porém, os novos projetos não entraram no PDE 2029 divulgado na última terça-feira pelo Ministério de Minas e Energia, mas a expectativa do governo é de que, após a construção do primeiro empreendimento, os demais ocorram em um prazo entre cinco e sete anos.

Os preparativos para a expansão da energia nuclear no País, no entanto, serão realizados no decorrer desta década, informa o documento, que prevê o início dos licenciamentos ambientais e a seleção dos locais prováveis de instalação.

De acordo com o PDE 2029, a energia nuclear é “uma opção natural” para garantir a expansão da geração das energias renováveis no Brasil. No total, a expansão da geração térmica prevista no estudo é da ordem de 21 mil megawatts (MW), que serão distribuídos entre as fontes de gás natural nacional e importado; carvão mineral e urânio. O Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do mundo e pretende aumentar essa marca nos próximos anos, com a volta da prospecção do mineral no País.

“Esta fonte (nuclear) aparece como um recurso tecnicamente viável, não emissor de GEE e pode desempenhar um papel estratégico para o País do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico e de soberania nacional”, descreve o capítulo “Preparando o caminho para a expansão termelétrica nuclear” do PDE 2029.

O estudo avalia que apesar de não prever projetos, o Plano Decenal já deve preparar os estudos que vão viabilizar a instalação de novas usinas além da usina de Angra 3, cuja licitação está prevista para este ano. Como base será utilizado o levantamento já feito pela Eletrobrás e a Coppe/UFRJ que identificou 40 grandes áreas tecnicamente propícias para a instalação de novas centrais nucleares. A ideia é aprofundar esses estudos para selecionar os melhores locais, informa o PDE.

“É fundamental destacar que diante dos valores dos investimentos envolvidos, os projetos de novas centrais nucleares irão requerer a participação da iniciativa privada, preservando contudo, as restrições constitucionais”, explica o documento.

Segundo a Constituição brasileira o governo tem que ter o controle das usinas nucleares, o que inibe a maior participação da iniciativa privada no setor. / Agência Estado

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