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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou, nesta sexta-feira (21), denúncia contra oito pessoas acusadas de envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, morto em setembro deste ano no litoral paulista.
Segundo o MP-SP, os denunciados responderão por homicídio qualificado, duas tentativas de homicídio, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, favorecimento pessoal e participação em organização criminosa armada.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo planejou e executou o crime a mando do alto escalão do Primeiro Comando da Capital (PCC), como vingança pela atuação de Ruy ao longo de sua carreira. No dia do ataque, os executores emboscaram o ex-delegado na saída da Prefeitura de Praia Grande e efetuaram dezenas de disparos de fuzil. Após o assassinato, os criminosos incendiaram um dos veículos utilizados na ação e fugiram.
O MP-SP detalha que o planejamento do crime começou em março de 2025, com o uso de veículos, armas e imóveis de apoio, além de vigilância da rotina da vítima e mapeamento de seus deslocamentos. Câmeras de segurança foram desligadas durante o ataque para dificultar a investigação.
O documento, elaborado pelo Gaeco (grupo especial do MP que atua no combate ao crime organizado), indica que a morte de Ruy foi determinada pela chamada “sintonia geral” da facção, que já cobrava o assassinato do ex-delegado desde 2019, como revelado em uma carta manuscrita apreendida pela polícia.
Ruy Ferraz ingressou na Polícia Civil no início dos anos 1980 e atuou por mais de quatro décadas em unidades estratégicas, como Denarc, Dope e Deic. Nos anos 2000, divulgou organogramas da estrutura do PCC e liderou, em 2006, o indiciamento da cúpula da facção, incluindo Marcos Camacho, o Marcola.
Entre os denunciados, Marcos Augusto Rodrigues Cardoso ocupa papel central na articulação do crime, atuando como recrutador e organizador do grupo. Ele é apontado como integrante do PCC e exercia a função de “disciplina” no bairro do Grajaú, Zona Sul de São Paulo.
O ataque deixou ainda duas outras vítimas feridas por disparos, e o MP descartou a hipótese de que o crime estivesse relacionado à atuação de Ruy como secretário municipal em Praia Grande.