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🧡 Ver Ofertas na ShopeeO médico nutrologista Miguel Carvalho Santacreu, profissional do Hospital Albert Einstein e participante da SP City Marathon no último domingo (26), usou as redes sociais para denunciar graves falhas na estrutura de emergência do evento. Segundo ele, a organização demorou cerca de 15 minutos para disponibilizar um Desfibrilador Externo Automático (DEA) para atender o publicitário Júlio Barreto, de 50 anos, que sofreu uma parada cardíaca após cruzar a linha de chegada. (Vídeo no final da matéria).
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De acordo com o relato do médico, ele e outros profissionais de saúde que participavam da prova iniciaram as manobras de reanimação cardiopulmonar imediatamente ao notar o colapso de Barreto. A primeira ambulância enviada pela organizadora da prova, a Iguana Sports, teria chegado apenas 10 minutos depois, mas sem médico e sem o equipamento necessário para a reversão da parada cardíaca.
“Pedimos para o pessoal se afastar e avisar o evento sobre o que estava acontecendo. Continuamos tocando a parada ali por uns 10 minutos, quando chegou a primeira ambulância. Ela veio com uma equipe de bombeiros, sem nenhum médico. Solicitamos um DEA, e eles disseram que naquela unidade não tinha”, relatou Santacreu.
O equipamento só teria chegado ao local cerca de cinco minutos após o primeiro veículo, já acompanhado por uma equipe médica. Apesar da aplicação de quatro choques com o desfibrilador, o corredor não respondeu aos estímulos. Uma segunda ambulância chegou na sequência para auxiliar na transferência de Barreto ao hospital, onde o óbito foi confirmado.
Contradição e indignação com nota oficial
Santacreu afirmou que relutou em publicar o vídeo para não desmerecer os socorristas que atuavam no local, mas decidiu se pronunciar diante de “várias pequenas falhas” que precisam ser corrigidas para evitar novas tragédias. O médico também contestou publicamente o posicionamento oficial da organização.
“O que me irritou muito, de verdade, foi a resposta do evento. Houve uma demora muito grande para a chegada da assistência e, na nota de pesar, eles afirmaram que desde o começo havia um médico deles fazendo tudo certinho — o que não foi o que eu vivenciei na prática”, desabafou.
O outro lado: O que diz a Iguana Sports
Em nota encaminhada à imprensa, a Iguana Sports lamentou ocorrido e defendeu sua estrutura de atendimento. A empresa declarou que “nenhuma estrutura médica, por mais completa que seja, consegue prevenir 100% desses eventos”, ressaltando que o objetivo dos protocolos é “reduzir o tempo entre o colapso e o primeiro atendimento, fator decisivo para a sobrevida do paciente”.
A organizadora afirmou ainda que mantinha desfibriladores disponíveis na linha de chegada, situada a cerca de 100 metros do local do colapso, e garantiu que o atleta recebeu atendimento assim que a comunicação chegou à equipe de resgate. A empresa reiterou que todo o plano de segurança da prova segue as diretrizes da World Athletics e da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).
Em comunicado emitido logo após a confirmação da morte, a Iguana Sports havia informado que o atleta foi “prontamente atendido pela equipe médica do evento” e que, “apesar de todos os esforços, não resistiu”.
Prefeitura de SP cria grupo de trabalho para novas regras
Diante da repercussão do caso, a Prefeitura de São Paulo anunciou na terça-feira (28) a criação de um grupo de trabalho especial. O comitê terá o prazo de 20 dias para elaborar um novo protocolo de segurança e suporte à saúde voltado exclusivamente para corridas de rua e grandes eventos esportivos realizados em vias públicas na capital paulista.
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