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Astrônomos identificaram um novo planeta considerado potencialmente habitável e que pode ser “notavelmente semelhante à Terra”. Batizado de HD 137010 b, o corpo celeste, no entanto, apresenta um fator que chama a atenção dos cientistas: as temperaturas podem ser inferiores a -70 °C.
De acordo com os pesquisadores, HD 137010 b é um planeta rochoso ligeiramente maior que a Terra e orbita uma estrela semelhante ao Sol em um período de aproximadamente 355 dias. Apesar dessa semelhança, a estrela em torno da qual ele gira é mais fria e menos brilhante, o que explica as temperaturas extremamente baixas registradas no planeta.
Por conta disso, as condições em HD 137010 b são mais comparáveis às de Marte, onde as temperaturas médias giram em torno de -65 °C. O planeta recebe menos de um terço da quantidade de calor e luz que a Terra recebe do Sol.
A descoberta foi feita a partir da análise de dados coletados em 2017 pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa. Por enquanto, porém, o astro é classificado apenas como um “planeta candidato”, já que são necessárias novas observações para confirmar definitivamente sua existência.
Pesquisadores afirmam que o planeta pode acabar sendo considerado temperado ou até mesmo um mundo com água. Atualmente, há cerca de 50% de chance de que ele esteja localizado na chamada zona habitável, região em torno de uma estrela onde pode existir água líquida — condição considerada essencial para a existência de vida.
Segundo os cientistas, o planeta mais próximo com características semelhantes, orbitando uma estrela parecida com o Sol dentro da zona habitável, está cerca de quatro vezes mais distante.
“Se HD 137010 b tiver uma atmosfera semelhante à da Terra ou de Marte, é provável que seja mais frio do que a Antártica”, explicou o pesquisador Alexander Venner, da Universidade do Sul de Queensland. “Por outro lado, uma atmosfera mais espessa poderia aquecer o planeta o suficiente para permitir a presença de água líquida, criando um ambiente potencialmente favorável à vida.”
HD 137010 b está localizado a cerca de 146 anos-luz da Terra, uma distância considerada relativamente próxima em termos galácticos. Ainda assim, com a tecnologia atual, levaria “dezenas de milhares, ou até centenas de milhares de anos” para que uma missão humana chegasse até lá, segundo a astrofísica Sara Webb, da Universidade de Swinburne, que não participou do estudo.
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica Astrophysical Journal Letters.