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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (28) manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15% ao ano, repetindo a mesma decisão pela quinta reunião consecutiva. A medida ocorreu dentro das expectativas do mercado financeiro, que considerava a manutenção da taxa praticamente certa. Desde junho de 2025, a Selic permanece no maior nível em 20 anos.
O Banco Central destacou que o ambiente externo segue incerto, especialmente em função da conjuntura econômica dos Estados Unidos, e não descarta a possibilidade de iniciar um ciclo de alta da taxa caso considere necessário. A decisão do Copom foi unânime entre os membros do comitê.
No Brasil, os indicadores macroeconômicos mostram moderação do crescimento, algo considerado positivo para o controle da inflação. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho segue resiliente, exercendo pressão sobre os preços.
A decisão do Copom acontece um dia após a divulgação do IPCA-15, considerado a prévia da inflação. O indicador mostrou que os preços devem subir 0,20% em janeiro, resultado levemente abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,22%. Trata-se do segundo melhor resultado para um mês de janeiro desde 1994. Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 4,5%, exatamente no limite superior da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 3%, com banda de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Na última reunião, em dezembro de 2025, o Copom manteve um tom considerado rígido, indicando que a política monetária seguiria restritiva por um “período bastante prolongado”, descartando cortes de juros no início de 2026. O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (26) prevê que a Selic deve terminar o ano em 12,25%, 2,75 pontos percentuais abaixo do nível atual. A próxima edição do boletim, prevista para 2 de fevereiro, mostrará se as projeções do mercado serão ajustadas após o comunicado do Banco Central.
Abaixo a íntegra do comunicado do Copom
O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência (Tabela 1).
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.
O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.