Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
A Polícia Federal apreendeu, no Banco de Brasília (BRB), durante a Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, uma agenda com anotações sobre reuniões da cúpula do banco envolvendo as carteiras de crédito adquiridas do Banco Master, segundo reportagem do portal Metrópoles divulgada nesta quarta-feira (28). Uma frase chamou atenção: “Se não houver compras de carteiras, o Master vai quebrar”.
De acordo com a publicação, a agenda pertenceria à diretora de Controle e Riscos, Luana de Andrade Ribeiro, e registrava reunião realizada em 11 de julho de 2025. A anotação indicava: “Presidente afirmou, novamente, que faz-se necessário efetuar as compras de carteiras, afirmando que esses créditos foram verificados e que, se não houver, o Master vai quebrar”. Participaram do encontro o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o ex-diretor Financeiro Dario Oswaldo Garcia Júnior e o diretor Jurídico Jacques Veloso.
A informação foi confirmada pela delegada da PF Janaina Palazzo durante depoimento do ex-presidente do BRB. Costa afirmou que a declaração não se tratava de uma tentativa de “salvar” o Banco Master e explicou que o BRB estava no processo de substituição das carteiras de crédito adquiridas da instituição.
“No meu papel de zelar pelo BRB, eu precisava ganhar tempo para que pudéssemos substituir as carteiras. Todas as cessões realizadas tinham dois objetivos: cumprir nosso objetivo de mudar a carteira do banco e aumentar a rentabilidade prevista no planejamento, além de permitir que fizéssemos as substituições”, declarou o ex-presidente.
Durante a oitiva, a delegada questionou se havia urgência em comprar o Banco Master “para evitar quebra”, mas Costa negou, afirmando que o BRB nunca teve compromisso ou intenção de viabilizar a salvação do Master. “Se ia quebrar ou não ia quebrar, no final, seria problema dele”, reforçou.
O ex-presidente detalhou ainda que a oferta final do BRB para a instituição excluía R$ 51 bilhões em ativos e passivos, e que o modelo de negócio nunca envolveu a compra total do Banco Master. “Desde o início do processo de auditoria, já estávamos eliminando R$ 23 bilhões, e com o avanço da auditoria isso evoluiu para R$ 51 bilhões. Um contrato com cláusulas precedentes, que exige reorganização societária e exclui esse volume de ativos, nunca poderia ser tratado como contrato de salvação do Master”, explicou.
A operação da PF ainda investiga detalhes das negociações, e Costa, afastado do cargo, foi posteriormente destituído da presidência do banco.