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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, determinou a abertura de um processo interno na Corregedoria da autarquia para investigar possíveis falhas e omissões na fiscalização do Banco Master. A medida, revelada pelo jornal O Globo, provocou uma “limpeza” em setores estratégicos responsáveis por zelar pela solidez do sistema financeiro nacional.
O movimento ocorre na esteira da liquidação extrajudicial da instituição e das revelações de que o BC já monitorava irregularidades bilionárias meses antes de agir.
Baixas no Primeiro Escalão
A decisão de Galípolo resultou no afastamento imediato de dois nomes de peso da estrutura de controle do Banco Central:
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Paulo Sérgio Neves de Souza: Ex-diretor de Fiscalização (2019-2023). Ele foi o responsável por autorizar a compra do antigo Banco Máxima por Daniel Vorcaro, transação que deu origem ao Master.
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Belline Santana: Chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), braço do BC que monitora diariamente a estabilidade das instituições financeiras.
Ambos entregaram seus cargos após o pedido formal do presidente da instituição. Embora não existam acusações formais de corrupção ou conluio contra os servidores até o momento, a Corregedoria investiga se houve omissão técnica ou negligência durante os anos em que o Master apresentou um crescimento acelerado e atípico.
O Papel do Desup e a Governança Interna
O Departamento de Supervisão Bancária (Desup) é considerado o “olho” do Banco Central sobre o mercado. Cabe a este setor identificar riscos de insolvência e garantir que os bancos operem com transparência. A investigação interna foca em entender como o esquema de ativos sem lastro — que gerou um rombo bilionário envolvendo o BRB — passou pelo crivo dos supervisores por tanto tempo.
O objetivo da medida, segundo fontes ligadas à presidência do BC, é duplo:
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Entender o caso Master: Mapear onde o processo de fiscalização falhou especificamente com essa instituição.
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Reforçar a Governança: Criar novos mecanismos de controle para evitar que o “fator humano” ou falhas sistêmicas permitam que bancos em situação crítica continuem operando sob o radar.
A Corregedoria do BC possui autonomia para conduzir os trabalhos e, até o momento, não estabeleceu um prazo para a entrega do relatório final. O processo corre em paralelo às investigações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que foca nos crimes de gestão temerária e fraude financeira cometidos pela diretoria do Master e parceiros.
A saída de Paulo Sérgio Neves de Souza é vista como emblemática, uma vez que ele liderava a área de Fiscalização justamente no período em que o Master consolidou sua expansão agressiva no mercado brasileiro.