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A Justiça de São Paulo concedeu uma liminar que antecipa os efeitos da recuperação judicial do Grupo Fictor, empresa que tentou adquirir o Banco Master no ano passado. A decisão suspende, por 30 dias, execuções e cobranças contra o grupo, cujas dívidas somam cerca de R$ 4,3 bilhões.
A medida foi proferida pelo juiz Adler Batista Oliveira Nobre, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, e também proíbe penhoras, retenções, sequestros e buscas e apreensões de bens das empresas envolvidas. Apesar do alívio temporário, o magistrado determinou a realização de uma perícia prévia para avaliar se o grupo reúne condições efetivas para ter o pedido de recuperação judicial deferido de forma definitiva.
Na decisão, o juiz justificou a diligência diante de alegações de “pirâmide financeira”, confusão patrimonial entre empresas do grupo e inconsistências nos ativos apresentados. Também foi determinado um levantamento para verificar as “reais condições de funcionamento” das companhias e a análise detalhada da documentação entregue pelos advogados da Fictor.
As suspeitas foram levantadas pelo advogado Felipe Gosuen da Silveira, que representa credores investidores. Em manifestação apresentada à Justiça, ele pediu a inclusão das subsidiárias da Fictor no processo de recuperação judicial, sustentando que há confusão patrimonial entre a Fictor Holding, a Fictor Invest e empresas operacionais do grupo. Segundo o advogado, recursos captados por meio de Sociedades de Crédito em Participação (SCP) teriam sido transferidos para empresas operacionais e fundos administrados pela Fictor Asset, enquanto a Fictor Invest teria sido esvaziada.
O magistrado também determinou a apuração de alegações de que a estrutura de SCP teria sido utilizada para mascarar contratos irregulares de investimento coletivo. Para conduzir a perícia, foi nomeada a Laspro Consultores como administradora judicial. Somente após a conclusão do laudo técnico o juiz decidirá sobre a concessão definitiva da recuperação judicial, que poderá suspender execuções e cobranças por até 180 dias.
O Grupo Fictor atribui a crise de liquidez ao episódio envolvendo o Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. À época, um consórcio liderado por um dos sócios da Fictor anunciou um aporte de R$ 3 bilhões para adquirir a instituição, operação que acabou inviabilizada pela decisão da autoridade monetária.
Em nota, a empresa afirmou que a liquidação do banco afetou diretamente sua imagem no mercado. “Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”, declarou o grupo.