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O presidente russo, Vladimir Putin, foi inundado por apelos de crianças e adolescentes para que o governo restabeleça o acesso ao Roblox, uma plataforma de jogos extremamente popular que foi abruptamente bloqueada em toda a Rússia no início deste mês.
O Roblox, sediado na Califórnia e que permite aos usuários criar e compartilhar seus próprios jogos, parou de funcionar para os usuários russos em 3 de dezembro. O regulador estatal de mídia, Roskomnadzor, confirmou o bloqueio, acusando a empresa de hospedar “materiais extremistas” e “propaganda LGBT”, e alegando que a moderação da plataforma permitia conteúdo que poderia “afetar negativamente o desenvolvimento espiritual e moral das crianças”.
A medida é a mais recente da campanha de Moscou para intensificar o controle sobre plataformas de tecnologia estrangeira e direcionar os usuários a alternativas nacionais. Na mesma semana do bloqueio ao Roblox, reguladores também restringiram o acesso ao FaceTime da Apple e ao Snapchat. Anteriormente, o governo já havia tomado medidas contra o WhatsApp, a aplicação de mensagens mais popular do país, promovendo uma alternativa russa chamada Max.
Enquanto muitos russos se queixaram da perda de acesso a serviços de mensagens, a proibição do Roblox atingiu uma plataforma com quase 8 milhões de usuários mensais – o segundo serviço de jogos mais popular da Rússia – e provocou uma reação intensa, especialmente entre os usuários mais jovens.
Dmitri Peskov, secretário de imprensa de Putin, confirmou ter recebido “muitas” cartas de crianças sobre o tema antes da maratona de imprensa presidencial e do programa de chamadas de fim de ano agendados para 19 de dezembro.
A intensidade da reação jovem foi destacada por Yekaterina Mizulina, chefe da Liga da Internet Segura (alinhada ao Kremlin), que afirmou que desde a proibição, “cada segunda criança” entre 8 e 16 anos escreveu a ela dizendo que queria deixar a Rússia.
Em capturas de tela compartilhadas por Mizulina, as crianças suplicavam pelo restabelecimento do acesso. Uma das mensagens emocionantes dizia: “Meu irmão tem seis anos e realmente ama o Roblox. Dói muito ver a carinha triste dele. Espero que tudo se resolva e que a plataforma seja desbloqueada. Espero um milagre de Ano Novo.” Outros argumentaram que usam o Roblox para aprender o básico de desenvolvimento de jogos e software.
Apesar do apelo das crianças, o Roskomnadzor (RKN) justificou o bloqueio citando o problema de segurança infantil e o assédio sexual a menores dentro do jogo. O órgão afirmou que “crianças são enganadas para enviar fotos íntimas e são forçadas a atos depravados e violência; afinal, o Roblox é popular entre os pedófilos”.
O Roblox é popular globalmente, mas tem enfrentado críticas em vários países por expor crianças a conteúdo sexual, bullying, material extremista e exploração financeira, levando a restrições em locais como China, Turquia e Iraque. Nos Estados Unidos, a plataforma já foi ligada a dezenas de casos de abuso e levou a prisões, com promotores investigando a empresa por não implementar salvaguardas básicas.
A plataforma respondeu à proibição russa em um comunicado, afirmando que “respeita as leis e regulamentações locais nos países” e “acredita que o Roblox oferece um espaço positivo para o aprendizado, a criação e a conexão significativa para todos”.
Mizulina, apesar de ser conhecida por defender um controle rígido da internet, criticou o método do bloqueio, argumentando que a medida não resolve o problema principal e apenas incentiva a desobediência civil.
“As crianças simplesmente passarão para outros recursos ou usarão métodos alternativos. Quantas crianças baixaram um aplicativo de três letras nos últimos dias desde que o jogo foi proibido?”, questionou, referindo-se às VPNs (redes privadas virtuais) que permitem contornar as restrições.
“Como escrevem alguns pais de escolares, a elusão generalizada das medidas de bloqueio também fomenta uma atitude geralmente desdenhosa em relação às decisões governamentais. Desde pequenos, é incutida nas crianças a ideia de que sempre há outra opção”, concluiu.
Com informações do The Washington Post