O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e a mulher dele, Helena Witzel, foram acordados pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira (26) após se tornarem alvos das investigações de corrupção no combate à covid-19.

O ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Benedito Gonçalves declarou ao MPF (Ministério Público Federal), que há “indícios de participação ativa do governador quanto ao conhecimento e ao comando das contratações das empresas […], mesmo sem ter assinado diretamente os documentos”.

O ministro também argumentou que Witzel teve o apoio da esposa no esquema de organização criminosa, e cita ainda que existem vínculos estreitos entre Helena e as empresas de Mário Peixoto. Um dos vínculos colocados seria o contrato de prestação de serviços e honorários advocatícios que constam ligações  entre o escritório de Helena e a empresa DPAD Serviços Diagnósticos Ltda, bem como a transferência de recursos entre as empresas, são destacados pelo ministro do STJ.

Em sua decisão, Gonçalves ordenou que os agentes da PF fossem apreender, de Witzel e dos demais alvos, notebooks, computadores e smartphones; que possuem valores superiores a R$ 10 mil em reais ou moeda estrangeira; e obras de arte de elevado valor. 

Ainda de acordo com as investigações, a cúpula do governo e o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), contratado por mais de R$ 1 bilhão para montar 7 hospitais de campanha, teriam sido fraudados no orçamento para serviço de montagem e desmontagem de tendas, instalação de caixas d’água, geradores de energia e piso para formação de estrutura das unidades. Tudo com o conhecimento do ex-secretário estadual de saúde Edmar Santos, que já foi exonerado do cargo, porém agora faz parte de outra secretaria para manter o foro privilegiado.

Gonçalves também citou em sua decisão o secretário estadual de desenvolvimento econômico, Lucas Tristão. Segundo o ministro há informações de depósito no valor de R$ 225 mil na conta do escritório de Lucas Tristão feito por uma empresa de Mário Peixoto.

O inquérito revela que existe uma ligação de Tristão com a Atrio Rio Service Tecnologia e que inclusive Tristão foi advogado da empresa contra o governo antes de assumir a pasta. A Atrio ganhou neste ano um contrato com o Detran de mais de R$ 26 milhões.

Na parte da manhã de hoje a PF (Polícia Federal) deflagrou a operação Placebo, cumprindo 12 mandados de busca e apreensão, entre eles, no Palácio Guanabara e no escritório da primeira-dama, Helena Witzel Sociedade Individual de Advocacia.

O governador divulgou uma nota sobre a Operação:

“Não há absolutamente nenhuma participação ou autoria minha em nenhum tipo de irregularidade nas questões que envolvem as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal. Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará.  A interferência anunciada pelo presidente da república está devidamente oficializada. Estou à disposição da Justiça, meus sigilos abertos e estou tranquilo sobre o desdobramento dos fatos. Sigo em alinhamento com a Justiça para que se apure rapidamente os fatos. Não abandonarei meus princípios e muito menos o Estado do Rio de Janeiro”.