Em uma tabela dentro de uma denúncia apresentada em dezembro de 2019 pela força-tarefa da Lava Jato, os presidentes da Câmara e do Senado aparecem como “Rodrigo Felinto” e “David Samuel”. Suspeita: disfarçar quebras de sigilo.

A suspeita do procurador-geral da República Augusto Aras é a de que os procuradores preservaram os nomes de ambos na denúncia camuflados. Os nomes inteiros são: Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia e David Samuel Alcolumbre Tobelem. No documento, eles aparecem como beneficiários de recursos para campanha de empresas investigadas pela Lava Jato.  

O questionamento da PGR é que, ao acharem o nome de ambos na apuração, o processo deveria ser enviado a Brasília.  A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal estabelece que quando surgir um nome com foro em alguma investigação, o processo deve ser enviado para Brasília para que os ministros da corte avaliem se o caso fica ou não na primeira instância.

Até o momento, não há provas de que de fato os nomes camuflados em denúncias possam ter sido todos investigados. É isso que a PGR em Brasília agora tenta descobrir.

Alcolumbre não é investigado no caso, mas Rodrigo Maia sim. Ele é alvo de investigação no inquérito 4431 no STF que investiga os mesmos dados da denúncia apresentada em dezembro pela Lava Jato. 

Políticos mencionados na tabela da denúncia são identificados pelos nomes públicos –como Dilma Rousseff e Aécio Neves– e pelos partidos. O que não aconteceu com Maia, Alcolumbre.

Na PGR, a avaliação é a de que, se for comprovada má-fé, o caso será levado para a corregedoria.