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Anamara Osório Silva, coordenadora da Operação Lava Jato em São Paulo e procuradora da República, disse, nesta terça-feira (10), que o irmão do ex-presidente Lula, Frei Chico, recebeu “uma vida” em propinas mesmo depois de ter parado de trabalhar para Odebrecht.

“Lula, quando ainda era sindicalista, introduziu o irmão no relacionamento com o Emílio [Odebrecht], para que começasse um diálogo entre a empresa e o setor sindical. O Frei Chico foi contratado como consultor sindical, ele recebia os pagamentos por recibo, havia um serviço para isso”, explicou.

“O pagamento para o Chico começou em 1990 e se estendeu até 2015. Estamos falando de em três décadas de pagamento de propina, uma vida em pagamento de propina. Quando Lula assumiu a presidência, em 2002, a Odebrecht já tinha conquistado seu lugar, a resistência às desestatizações já tinham terminado, mas os pagamentos continuaram”, disse a coordenadora.

A procuradora enfatiza, ainda, que o valor pouco importa: “não importa o montante que se tome, pouco interessa. O que interessa é que se alimentem do sistema, que o agente público ganhe do sistema para sua família, para seu irmão, para quem for, que sustente quem lhe interessar. O uso desse montante, ainda, por décadas, é muito sério. É muito sério termos um sistema contaminado dessa maneira.”