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As forças repressivas do regime iraniano mataram o campeão de fisiculturismo Masoud Zatparvar durante as grandes manifestações que ocorrem no país há cerca de duas semanas.
Zatparvar, de 39 anos, era multimedalhista mundial e um dos proprietários de algumas das academias mais conhecidas da cidade de Rasht, no norte do Irã. Segundo relatos, ele foi atingido por disparos diretos efetuados por forças ligadas ao regime.
A ativista iraniana Masih Alinejad condenou o assassinato em suas redes sociais. “Hoje vou às ruas. Não tenho medo nem preocupações. Quero meu direito. Essas foram as últimas palavras de Mehdi Zatparvar no Instagram, e ontem a República Islâmica respondeu com balas”, escreveu.
“Eles mataram um atleta campeão mundial por exigir algo simples: o direito de viver com dignidade. É assim que o regime responde à coragem. Por isso os iranianos estão nas ruas. Esse crime não pode ser enterrado no silêncio”, acrescentou.
A morte de Zatparvar o transformou em símbolo da repressão violenta que atinge o país, intensificando a revolta popular em meio a um apagão quase total da internet, imposto pelo governo. A medida dificulta a comunicação e a verificação independente dos acontecimentos nas ruas. Organizações de direitos humanos contabilizam ao menos 51 mortos desde o início da repressão.
Além de destaque no esporte, Zatparvar era uma figura influente no setor empresarial local, responsável pela administração de vários centros de treinamento em Rasht. Seu assassinato evidencia a gravidade da crise social e o alcance da repressão estatal.
O apoio público de Zatparvar aos protestos já era conhecido, o que elevou ainda mais a tensão e a indignação dentro e fora do país.
Nas últimas duas semanas, as manifestações se espalharam pelas principais cidades iranianas, impulsionadas pela insatisfação com a crise econômica, que afeta principalmente comerciantes e trabalhadores.
Cidades como Teerã, Mashhad, Tabriz, Qom e Hamedã registraram panelaços, marchas e protestos com palavras de ordem contra o líder supremo Ali Khamenei. Manifestantes entoaram gritos como “Morte a Khamenei”, desafiando a repressão nas ruas.
Para conter a mobilização e a disseminação de informações, as autoridades impuseram um bloqueio nacional da internet. O grupo NetBlocks confirmou a interrupção das comunicações por pelo menos 36 horas, até a manhã deste sábado.
Os cineastas dissidentes Mohammad Rasoulof e Jafar Panahi denunciaram publicamente que o regime bloqueou “todos os meios de contato com o mundo exterior”, com o objetivo de ocultar a violência da repressão. A falta de conexão dificulta a confirmação de imagens e dados em tempo real.
Entidades de direitos humanos relatam o uso sistemático de força contra manifestantes pacíficos. A organização Iran Human Rights estima ao menos 51 mortes, enquanto o governo iraniano afirma que membros das forças de segurança também morreram durante os confrontos.
A vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Shirin Ebadi, manifestou preocupação com a possibilidade de que o regime esteja preparando ações repressivas ainda mais amplas, aproveitando-se do apagão informativo, o que aumenta o temor de abusos sem supervisão internacional.
Do lado oficial, o líder supremo Ali Khamenei classificou os manifestantes como “vândalos” e responsabilizou os Estados Unidos por incentivar os protestos. Em discurso, afirmou que a República Islâmica “não recuará”, reiterando a narrativa de interferência estrangeira.
A comunidade internacional acompanha a crise com atenção. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou apoio ao “corajoso povo iraniano”.
Já o presidente Donald Trump fez uma advertência direta, afirmando que “é melhor que não comecem a atirar, porque nós também começaremos”, sugerindo uma possível resposta militar caso a repressão se intensifique. Segundo ele, o povo iraniano “já está assumindo o controle de algumas cidades”.
No exílio, Reza Pahlavi, filho do último xá deposto em 1979, celebrou a mobilização popular e pediu que a oposição se organize para ocupar e manter centros urbanos, visando uma transição de poder. Ele afirmou estar se preparando para retornar ao Irã e avaliou que os protestos já ultrapassaram a fase simbólica, avançando para a disputa efetiva por espaços estratégicos.