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A BBC se desculpou publicamente nesta quinta-feira (13) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo modo como seu discurso foi editado em um documentário de 2024, criando a “impressão equivocada” de que ele havia incitado a violência durante o ataque ao Capitólio.
Apesar do reconhecimento do erro, a emissora britânica descartou pagar a indenização de 1 bilhão de dólares exigida pela equipe jurídica de Trump e rejeitou os argumentos para uma ação por difamação.
O caso surgiu após a BBC admitir que o episódio de Panorama intitulado Trump: A Second Chance? (Trump: Uma Segunda Chance?) editou partes do discurso de Trump de 6 de janeiro de 2021, apresentando-as como se fossem uma sequência contínua.
“Aceitamos que nossa edição criou a impressão equivocada de que mostramos uma seção contínua do discurso, em vez de fragmentos de diferentes partes, e que isso deu a falsa impressão de que Trump havia feito um chamado direto à violência”, afirmou a BBC em comunicado.
Como consequência, a emissora anunciou que não transmitirá mais o documentário e publicou a retratação em sua seção de Correções e Esclarecimentos. O presidente do conselho, Samir Shah, enviou uma carta pessoal à Casa Branca registrando o arrependimento institucional pela edição e seu impacto.
Advogados de Trump ameaçaram uma ação por difamação no valor de 1 bilhão de dólares caso a BBC não retirasse o documentário e não oferecesse compensação financeira. “Embora lamentemos sinceramente a forma como o vídeo foi editado, discordamos veementemente de que haja qualquer base para uma ação por difamação”, respondeu a emissora.
A edição alterada fez parecer que Trump dizia:
“Vamos marchar para o Capitólio e eu irei com vocês, e lutamos. Lutamos com todas nossas forças, e se não lutarem com todas suas forças, já não terão país”.
No entanto, no discurso original, Trump também havia afirmado:
“Sei que todos aqui logo marcharão para o prédio do Capitólio para fazer suas vozes serem ouvidas de forma pacífica e patriótica”.
Essa referência explícita a um protesto pacífico foi removida do documentário.
“Meu discurso foi deturpado. O que fizeram enganou os telespectadores”, declarou Trump à Fox News, reiterando a exigência de uma retratação completa e adequada.
Segundo o vídeo e a transcrição do discurso original, Trump disse:
“Irei com vocês, vamos marchar, vamos marchar. Qualquer que vocês queiram, mas acredito que aqui mesmo vamos marchar para o Capitólio e vamos incentivar nossos valentes senadores e congressistas, homens e mulheres, e provavelmente não vamos incentivar tanto alguns deles”.
A expressão “lutamos com todas nossas forças” foi pronunciada por Trump ao final do discurso, sem referência direta ao Capitólio.
Novo suposto “montagem”
A controvérsia ganhou força após a divulgação de um novo relatório, que revela outra edição de discurso em um programa da BBC de 2022 (Newsnight), em que frases separadas de Trump também foram unidas. Durante a gravação, o ex-chefe de gabinete da Casa Branca, Mick Mulvaney, presente no estúdio, destacou que o discurso estava fragmentado.
Diante das denúncias, a BBC informou que “o caso está sendo examinado” e reafirmou seu compromisso com os “mais altos padrões editoriais”.
Apesar das renúncias do diretor-geral Tim Davie e da diretora de notícias Deborah Turness após o escândalo, a emissora afirmou que manterá uma revisão interna e defendeu o princípio editorial, garantindo que não houve difamação no caso.
Para a defesa de Trump, existe um “padrão de difamação” e o episódio seria um precedente de manipulação midiática. A equipe jurídica estipulou um prazo para resposta até a noite desta sexta-feira, antes de decidir se irá avançar com a ação.
(Com informações da AFP)