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Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que o Banco Master, comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro (atualmente preso), repassou R$ 27,2 milhões ao portal de notícias Metrópoles entre 2024 e 2025. O documento, revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta quarta-feira (8), classifica as movimentações como “inusitadas” e “incompatíveis com o faturamento médio mensal” da empresa de comunicação.
De acordo com a investigação, o Metrópoles, que tem como principal figura o ex-senador Luiz Estevão, realizava o “débito imediato” dos valores recebidos do banco para outras empresas pertencentes à família de Estevão, como a Madison Gerenciamento, Sense Construções e Macondo Construções. Para o Coaf, esse fluxo financeiro pode configurar “movimentação de recursos em benefício de terceiros”.
Divergência nas datas de patrocínio
O ex-senador Luiz Estevão justifica que os repasses são referentes ao patrocínio do Will Bank (pertencente ao Master) para a transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025 e à compra dos naming rights da competição. No entanto, o relatório aponta uma inconsistência cronológica:
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Janeiro de 2025: O Master começou a injetar recursos vultosos no Metrópoles.
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Abril de 2025: Início do campeonato da Série D.
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Julho de 2025: Anúncio oficial do acordo de transmissão e início das exibições no YouTube.
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26 de julho de 2025: A logomarca do patrocinador só apareceu nos campos de jogo seis meses após o início dos pagamentos.
Operadores do mercado esportivo ouvidos pela reportagem ressaltam que a Série D historicamente atrai pouco interesse comercial e raramente gera retornos dessa magnitude.
“Dinheiro é meu”, afirma Luiz Estevão
Em resposta ao Estadão, Luiz Estevão negou qualquer irregularidade. Sobre as transferências imediatas para suas outras empresas, o ex-senador foi enfático: “O dinheiro que eu recebi passa a ser meu e faço com ele o que eu quiser. Posso comprar publicidade no Estadão, posso transferir esses recursos para outras empresas minhas, comprar um imóvel, fazer o que quiser”.
Ele ainda afirmou que os valores não foram superdimensionados e que o banco, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após suspeitas de fraude bilionária, ainda deve dinheiro ao veículo.
Os repasses ao Metrópoles somam-se a uma lista de pagamentos milionários feitos pelo Banco Master que estão sob análise da CPI do Crime Organizado. Dados da Receita Federal indicam que a instituição de Daniel Vorcaro também enviou cifras milionárias a empresas e escritórios ligados a nomes como Michel Temer, Antônio Rueda, ACM Neto, Guido Mantega, Henrique Meirelles e familiares de ministros do STF.