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Em razão do isolamento social prolongado e das medidas econômicas socialista na Argentina, mais empresas estão de malas prontas para deixar o país governado por Alberto Fernández e sua vice Cristina Kirchner. De companhias aéreas a empresas de autopeças, as filiais locais estrangeiras estão indo embora.

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A empresa de entrega a domicílio espanhola Glovo é a mais recente a integrar a lista das companhias que estão deixando a Argentina desde o agravamento da crise econômica local, já iniciada antes da pandemia pelas medidas econômicas de Fernández, porém agravada pelas consequências das medidas de quarentena decretadas pelo governo de esquerda para “enfrentar” a covid-19.

Nos últimos dias, causou impacto o anúncio de que a cadeia de lojas de departamentos chilena Falabella, presente em vários países da região, fizesse o mesmo. Na Argentina, a Falabella está presente desde os anos 1990 e possui mais de 20 lojas espalhadas por todo o país. A Falabella também atua em outros países da região.

A lista das que estão abandonando solo argentino também é integrada por companhias aéreas como Latam Argentina, Qatar Airways, Emirates e Air New Zealand, empresas de cosmética e farmacêutica como a Pierre Fabre, a indústria de autopeças francesa Saint Gobain Sekurit (fabricação de vidros de automóveis), as seções de produção de pintura automotiva da alemã Basf e da norte-americana Axalta, a fábrica de artigos esportivos da Nike e a de produção de embalagens para o setor farmacêutico da alemã Gerrescheimer. Também a Wallmart anunciou que deve deixar o país e está buscando um comprador.

Nesta quarta-feira (16), o governo socialista de Alberto Fernández criou um novo imposto de 35% para gastos em cartão de crédito em dólar e mais restrições para a abertura de novas contas na moeda americana, prática comum no país.

“A crise que a Argentina vive, a alta inflação e o aumento da pobreza mostram que, no pós-pandemia, este será um país menor, tanto em termos de capacidade de produção como em termos de tamanho do mercado consumidor. Com o poder de compra das pessoas se reduzindo pela inflação, pelo desemprego, pela desvalorização do peso, passa a compensar pouco investir aqui”, conclui o economista Raul Ochôa.

O caso da Latam Argentina foi o que, até aqui, tinha causado mais impacto. A empresa afirma ter buscado o governo socialista para negociar uma redução salarial e das operações, para continuar atuando na área. Mas o decreto presidencial que impede demissões durante a pandemia acabou deixando a empresa sem outra opção que não a de sair de vez do país, deixando 1.700 trabalhadores na rua.

A incerteza sobre quando serão de fato retomados os voos comerciais internacionais também contou para afastar as companhias aéreas internacionais. No início da pandemia, a data determinada era 1º de setembro. Agora, foi adiada para outubro, mas ainda sem certezas e sem protocolos e números de voos por dia definidos.

Para empresas como a Qatar e a Emirates, cujo voo a Buenos Aires era apenas um trecho de uma rota mais longa que passava por SP ou RJ, ficou mais simples eliminar a perna do trajeto que vinha até a capital argentina, desmontando os escritórios e a operação de recepção dos voos no aeroporto de Ezeiza.

As empresas aéreas low cost também estão abaladas pela crise. A primeira a anunciar a saída do país foi a JetSmart, que pertence à Norwegian. A saída das low cost do mercado levará também a um redesenho dos aeroportos da capital. Além do de Ezeiza, o principal para voos internacionais, e o Aeroparque, para voos domésticos e para o Uruguai, havia sido inaugurado havia não muito tempo o aeroporto de Palomar, pensando nas aerolíneas de baixo custo, essa operação está sendo repensada.

A Argentina é o segundo país com pior desempenho na evolução do investimento estrangeiro direto por país neste século 21, segundo estudo da ONU entre 202 países. Algumas indústrias de autopeças estão fechando operações aqui, mas transferindo operações ao Brasil ou ao Chile. A Nike deixou sua produção local para a mexicana Axo.

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