segunda-feira, 19 de abril de 2021

Alemanha se mantém contrária à vacina da Oxford/AstraZeneca a partir de 65 anos

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Os especialistas do país, que têm priorizado a imunização dos idosos em sua campanha de vacinação, questionam o uso do produto em pacientes mais velhos e dizem que não há dados suficientes sobre sua ação em seu sistema imunológico. 

“Teremos que revisar o calendário de vacinação” por causa das “limitações de idade em relação à vacina da Oxford/AstraZeneca”, afirmou o ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, durante uma conversa com profissionais da saúde, neste sábado (30). Na sexta-feira (29), as autoridades sanitárias alemãs reiteraram a recomendação de não autorizar o uso da vacina da Oxford/AstraZeneca para pessoas a partir de 65 anos. Os especialistas alemães consideram que “não há dados suficientes para se pronunciar sobre a eficácia” do imunizante em pessoas idosas, que é de cerca de 70% nos mais jovens.

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A  Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou na sexta-feira o uso desta vacina em maiores de 18 anos e sem limite de idade na União Europeia (UE), mas o ministro alemão reiterou que aplicará a decisão dos especialistas do país. O produto poderá ser usado prioritariamente em pessoas mais jovens ou em profissionais da saúde, acrescentou. O país deve emitir a autorização oficial no início da próxima semana.

 A vacina, desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, é a terceira aprovada pela EMA, depois das da Pfizer/BioNTech, em 21 de dezembro, e da Moderna, em 6 de janeiro. Apesar dos atrasos registrados nas entregas do produto, Jens Spahn afirmou neste sábado que esperava receber “5 milhões de doses adicionais antes de 22 de fevereiro”, contando todas as vacinas.

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De acordo com o Instituto de Vigilância Sanitária Robert Koch, até a última sexta-feira, apenas 2,2% da população alemã (1.855.457 pessoas) haviam recebido pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19.

A vacina usa um vetor viral geneticamente modificado, conhecido como adenovírus. Trata-se de um vírus de resfriado retirado de um chimpanzé, enfraquecido, que carrega o material genético da proteína Spike, que o coronavírus utiliza para entrar nas células, estimulando a formação de anticorpos no organismo. O produto é mais fácil de ser transportado, porque pode ser conservado entre 2 e 8 graus, facilitando sua utilização em grande escala.

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Dados limitados

Recentemente, o jornal Bild Zeitung e o econômico Handelsblatt colocaram em dúvida a eficácia da vacina para pessoas mais velhas. Os dois veículos afirmaram que apenas 8% das pessoas com mais de 65 anos estavam protegidas contra o SARS-Cov-2 depois de receber uma dose.

O laboratório AstraZeneca e o governo alemão desmentiram a informação, dizendo que os jornais tinham “confundido” diversos dados diferentes dos estudos realizados com os imunizantes. Esses 8%, na verdade, representavam a quantidade de voluntários dessa faixa etária que participaram da fase 2 de testes.

O diretor-geral do grupo, Pascal Soriot, reconheceu entretanto que havia uma quantidade limitada de dados para a população a partir de 65 anos e que era “possível” que alguns países preferissem não administrar a vacina nessas pessoas. O grupo sueco-britânico indicou, entretanto, que as últimas análises mostram que o imunizante funciona nessa faixa etária.

No Brasil, a Anvisa já recebeu o pedido para registro definitivo da vacina, que também será fabricada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O objetivo é produzir cerca de 50 milhões de doses até abril. Como o uso emergencial do imunizante foi autorizado, a vacina já começou a ser administrada no país no dia 23 de janeiro, sem limite de idade.

Processo

O governo alemão ameaçou levar à justiça os laboratórios que não “respeitarem suas obrigações” de entrega de vacinas contra a Covid-19 na União Europeia. “Se há empresas que não respeitam suas obrigações, teremos que decidir sobre consequências judiciais”, ameaçou o ministro da Economia alemão, Peter Altmaier, em entrevista ao jornal alemão “Die Welt”. “Nenhuma empresa pode favorecer outro país em detrimento da UE”, acrescentou.

Nas últimas semanas, a tensão cresceu entre os dirigentes europeus e a AstraZeneca por conta dos atrasos do laboratório britânico nas entregas de sua vacina contra a Covid-19. O grupo explicou que só poderia entregar “a quarta parte” das doses inicialmente prometidas à UE no primeiro trimestre do ano, alegando uma “queda de rendimento” em uma fábrica europeia.

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