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Coreia do Norte Infiltra Milhares de Técnicos Remotos em Empresas Globais Usando Identidades Falsas

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Autoridades federais dos Estados Unidos denunciaram um esquema internacional organizado pelo regime da Coreia do Norte para infiltrar milhares de trabalhadores remotos em empresas de tecnologia dos EUA e de outros países. Segundo promotores federais citados pelo The New York Times, o objetivo da operação era gerar receita para o governo norte-coreano, que enfrenta severas sanções econômicas impostas pelo Conselho de Segurança da ONU e pelo próprio governo americano em razão de seu programa nuclear.

De acordo com as investigações, o regime norte-coreano explorou a crescente demanda por profissionais qualificados em tecnologia e o avanço do trabalho remoto no mundo todo para empregar cidadãos do país em empresas estrangeiras — utilizando identidades falsas ou roubadas. Os promotores apontam que essa atuação permitiu ao regime contornar sanções internacionais, manter fluxo de caixa e acessar informações sensíveis de setores estratégicos.

A procuradora federal de Massachusetts, Leah Foley, afirmou que “milhares de operativos cibernéticos norte-coreanos foram treinados e implantados pelo regime para se integrar à força de trabalho digital global”, acrescentando que a situação representa uma “ameaça imediata” aos Estados Unidos e seus aliados.

Entre 2021 e 2024, os promotores documentaram que identidades falsificadas permitiram que cidadãos norte-coreanos conseguissem empregos remotos em mais de 100 empresas nos EUA, espalhadas por dezenas de estados. Estima-se que o esquema tenha gerado cerca de US$ 5 milhões para o regime, enquanto causou prejuízos de aproximadamente US$ 3 milhões às empresas afetadas — além de exposição de dados ligados a tecnologias militares.

Segundo a acusação, a operação contou com uma rede internacional envolvendo cidadãos dos Estados Unidos, China e Taiwan, que ajudaram a obter e manipular identidades, criar empresas fictícias e sites falsos para facilitar a contratação de norte-coreanos. O acesso ilegal se estendeu a sistemas e recursos críticos das empresas, ampliando os impactos da fraude para além das fronteiras americanas.

Os responsáveis utilizaram serviços de verificação online para reunir dados pessoais e construir perfis falsos, apresentando trabalhadores norte-coreanos como profissionais qualificados. Em alguns casos, as empresas enviaram laptops e equipamentos para supostos funcionários nos EUA, que depois eram controlados remotamente por operativos baseados na Coreia do Norte e outros países.

A estrutura do esquema incluía empresas e contas bancárias fictícias, que davam aparência de legitimidade às identidades forjadas. “Essas infraestruturas virtuais ajudaram a colocar trabalhadores norte-coreanos em posições-chave em setores sensíveis, como tecnologia e defesa”, alertaram os promotores.

Desde 2022, o Departamento de Justiça dos EUA, o FBI, o Departamento de Estado e o Departamento do Tesouro vêm alertando a comunidade internacional sobre a infiltração de operativos norte-coreanos no setor tecnológico. Segundo os órgãos, a maioria desses trabalhadores opera de dentro da Coreia do Norte, China e Rússia, com foco em alvos na Europa e na Ásia Oriental.

Nos últimos meses, autoridades americanas intensificaram as investigações e iniciaram operações para identificar cúmplices — conscientes ou não — do esquema dentro dos EUA. As ações incluíram o fechamento de sites fraudulentos, o bloqueio de contas bancárias e o rastreamento de estruturas conhecidas como “fazendas de laptops”, que permitiram o acesso remoto aos sistemas de empresas americanas.

Com o aumento da vigilância nos EUA, os operativos norte-coreanos vêm ajustando suas estratégias e expandindo as ações para outros países. Um relatório do Google Threat Intelligence Group, divulgado em abril, mostra que o regime tem ampliado sua atuação em nações como Portugal, Alemanha e Reino Unido.

Segundo James Collier, assessor sênior do grupo na Europa, a Coreia do Norte “redesenhou e expandiu seus métodos” diante dos controles mais rígidos e criou um “ecossistema global de identidades fraudulentas” para manter a eficácia das operações. Collier afirmou que, em 2024, um único trabalhador norte-coreano usou pelo menos 12 identidades distintas para conquistar vagas em empresas de defesa e órgãos públicos na Europa e nos EUA, com base em documentos e referências falsificadas.

As autoridades americanas alertam que, diante da sofisticação do esquema, novas iniciativas devem surgir como forma de garantir o financiamento do regime norte-coreano, apesar das restrições internacionais.

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