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Desvio milionário no Templo Shaolin: “Monge CEO” investia em carros de luxo e teve filhos fora dos votos

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O famoso Templo Shaolin, berço do kung fu e símbolo global do budismo zen, enfrenta um dos episódios mais graves de sua história. O abade Shi Yongxin — apelidado de “monge CEO” por sua atuação empresarial — será destituído do cargo após uma investigação por desvio de recursos e conduta considerada inapropriada, segundo confirmou a Associação Budista da China, citada pela agência AFP.

Em comunicado oficial, a entidade afirmou que “as ações de Shi Yongxin têm uma natureza extremamente prejudicial e danificam seriamente a reputação da comunidade budista e a imagem dos monges”. A associação também anunciou a revogação do certificado de ordenação do monge.

A informação foi antecipada pelo próprio templo no último domingo (27), por meio de uma publicação que reconhecia suspeitas de desvio de dinheiro destinado a projetos e bens do mosteiro. Mas o escândalo não se restringe ao campo financeiro. Segundo o mesmo comunicado, o abade teria violado gravemente os preceitos budistas ao manter relações com várias mulheres, com quem teria tido filhos ilegítimos.

O caso ganhou enorme repercussão nas redes sociais da China. No Weibo — uma das principais plataformas do país —, uma palavra-chave relacionada ao escândalo ultrapassou 560 milhões de visualizações em menos de 48 horas. A comoção não se deve apenas à gravidade das denúncias, mas também ao perfil midiático de Shi Yongxin, visto por muitos como um líder espiritual moderno, porém controverso.

Yongxin assumiu o comando do templo em 1999 e liderou uma expansão sem precedentes do chamado “modelo Shaolin”. Fundou empresas no exterior, exportou os ensinamentos do templo para diversos países e chegou a ocupar cargos políticos, como o de membro da Assembleia Nacional Popular. Em 2002, foi nomeado vice-presidente da Associação Budista da China.

Nos últimos anos, porém, sua imagem vinha sendo abalada por denúncias feitas por ex-discípulos, que o acusavam de viver em meio a luxos — com carros de alto padrão e viagens caras —, destoando dos princípios ascéticos do budismo. Em 2015, o templo chegou a desmentir publicamente acusações semelhantes, classificando-as como “calúnias maliciosas” com o apoio da mídia estatal. Agora, no entanto, tanto autoridades religiosas quanto políticas parecem unidas na decisão de puni-lo.

Na semana passada, o abade publicou em sua conta no Weibo: “A mente pura encontra a Terra Pura no momento presente”. Mas seu futuro parece cada vez mais distante do templo fundado no ano 495, localizado nas montanhas da província de Henan, que por séculos representou uma união sagrada entre espiritualidade e artes marciais.

As autoridades chinesas, que controlam rigidamente o processo de nomeação de líderes religiosos no país, ainda não anunciaram quem assumirá o lugar de Shi Yongxin. O que já está claro é o recado do budismo oficial: nem os votos monásticos nem os vínculos políticos estão acima do escrutínio público e das consequências.

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