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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (7), em Washington, que pode considerar a possibilidade de isentar a Hungria das sanções impostas à compra de petróleo e gás da Rússia. A declaração foi feita durante encontro com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, aliado político de Trump na Europa Central.
Trump afirmou que está “analisando” a possibilidade de conceder exceções à Hungria, destacando as dificuldades logísticas do país para buscar alternativas energéticas devido à sua condição de nação sem litoral.
“Estamos analisando a situação porque é muito difícil para eles conseguirem petróleo e gás de outros lugares. Como sabem, não têm a vantagem de ter mar”, explicou Trump à imprensa no início da reunião na Casa Branca. O presidente ressaltou que Hungria “é um grande país, mas não tem portos”, o que limita suas opções para abastecimento fora do fornecimento russo.
Trump também criticou que outros países europeus continuam comprando hidrocarbonetos russos, apesar da pressão dos EUA para interromper esses laços após a invasão da Ucrânia. “Muitos países europeus compram petróleo e gás da Rússia há anos. Pergunto-me: qual é o sentido disso?”, afirmou.
A dependência energética húngara ficou clara nas palavras de Orbán, que disse que cerca de 85% do gás e 65% do petróleo consumidos pelo país vêm da Rússia, situação que dificilmente poderá ser modificada no curto prazo. O primeiro-ministro destacou que pretende “explicar claramente as consequências que teria para o povo e a economia húngara” renunciar aos fornecimentos russos, já que o país depende exclusivamente de gasodutos.
“O gasoduto não é uma questão política ou ideológica, é uma realidade física, porque não temos porto próprio”, justificou Orbán. Em declarações anteriores ao encontro, ele classificou o tema das sanções como o componente “mais grave e importante” da agenda bilateral e deixou claro que buscava obter exceções às medidas dos EUA contra empresas russas como Rosneft e Lukoil.
Embora Trump tenha afirmado previamente que não haveria tratamento preferencial à Hungria em relação às sanções, a reunião ocorreu em clima de grande empatia política. Ao longo do encontro, o presidente dos EUA elogiou repetidamente a liderança de Orbán em política migratória e pediu à União Europeia (UE) que “respeite muito” o primeiro-ministro húngaro e “aprenda” com sua postura de “firmeza” nas fronteiras.
Durante a reunião na Casa Branca, Trump afirmou que “a UE deveria respeitar a Hungria e seu líder, porque ele está certo sobre a migração”. O presidente americano denunciou que a Europa está “inundada”, associando o aumento da migração a uma suposta elevação da criminalidade, embora dados nos EUA não confirmem essa correlação. Segundo Trump, “Hungria é muito reconhecível” graças a uma política rigorosa de controle fronteiriço, enquanto outros países teriam alterado suas práticas nesse tema.
Orbán aproveitou o momento para defender suas políticas antimigratórias e lamentou as sanções impostas pela UE a Budapeste por desafiar o bloco em matéria de asilo. O primeiro-ministro afirmou que seu governo é “o único na Europa que se considera cristão”, enquanto os demais seriam “basicamente governos de esquerda liberal”. Ele acrescentou que a taxa de migração ilegal na Hungria é “zero”, resultado direto das restrições nas fronteiras, embora isso implique pagamento diário de um milhão de euros em multas à UE.
Apesar das afinidades políticas e pessoais, Trump ressaltou que a relação bilateral ainda enfrenta desafios, sugerindo que nenhuma decisão definitiva foi tomada sobre o pedido de Budapeste. Em outro momento, o presidente americano afirmou desejar se reunir com o líder russo, Vladimir Putin, em Budapeste, para buscar uma solução para o conflito na Ucrânia, mas reconheceu que por ora não há condições para o encontro.
Orbán, por sua vez, destacou que o objetivo central da visita a Washington é fortalecer os laços econômicos entre Hungria e Estados Unidos, deixando claro que ele próprio assumirá a gestão das tensões existentes com a UE.
(Com informações da AFP, AP e EFE)