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O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, acusou nesta segunda-feira a ditadura de Nicolás Maduro de atuar como o principal “nexo” na América do Sul para grupos islamistas como Hezbollah e Hamas, além dos rebeldes houthis, do Iêmen.
Durante uma fala no Congresso do Paraguai, em Assunção, Saar alertou que essas alianças transformaram a Venezuela em um ponto central para a expansão de redes de narcotráfico e terrorismo com alcance global, em um cenário marcado pela presença de atores do Oriente Médio e pela multiplicação de rotas e operações a partir do continente sul-americano.
Saar declarou que “na América do Sul, criminosos estão construindo alianças de narcoterrorismo com o Oriente Médio. O elo dessa rede é a Venezuela”.
O diplomata também afirmou que o governo de Nicolás Maduro “desestabilizou a região ao provocar uma crise de refugiados e é a base para as operações de terror do Hezbollah”.
Segundo Saar, o próprio Maduro já afirmou que a Venezuela integra o “eixo da resistência”, referência à aliança entre seu regime e movimentos considerados terroristas pelo Ocidente.
No mesmo discurso, Saar citou três “Estados terroristas” no Oriente Médio — Líbano, Gaza e Iêmen — e destacou que não se trata apenas de grupos insurgentes, mas de organizações inseridas em estruturas estatais e com capacidade de cooperação transnacional. Esse fenômeno, segundo ele, também se estende à África e à América Latina.
“Hoje os Estados terroristas não se concentram apenas nas áreas que controlam, mas ameaçam a região e o mundo”, afirmou Saar, apontando para um padrão de colaboração entre esses atores e redes criminosas em novos territórios.
O ministro israelense chegou ao Paraguai como parte de sua primeira viagem oficial à região, onde assinou acordos de cooperação em segurança com o governo do presidente Santiago Peña, envolvendo assistência técnica e operacional às forças policiais e militares paraguaias.
Saar também elogiou a decisão do Paraguai de transferir sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, alinhando-se a outros aliados dos Estados Unidos. Ele agradeceu pessoalmente ao presidente Peña e ao chanceler Rubén Ramírez Lezcano.
Durante a visita, Saar comentou o recente assassinato de Haytham Ali Tabatabai, alto comandante militar do Hezbollah, morto por Israel em um bombardeio em Beirute.
“O mundo é um lugar melhor hoje sem Ali Tabatabai”, declarou. Para ele, o comandante “liderou ataques terroristas contra Israel e tinha sangue americano nas mãos”.
Questionado sobre a operação, que deixou cinco mortos e 28 feridos, Saar negou violação da soberania libanesa.
“A simples existência do Hezbollah como a força armada mais poderosa no Líbano já é, por si só, uma violação da soberania libanesa”, afirmou.
Israel mantém que suas ações têm como objetivo enfraquecer a infraestrutura militar do Hezbollah, grupo que, segundo o governo israelense, recebe armamento e financiamento do Irã.
Após sua passagem pelo Paraguai, Saar deve visitar a Argentina, onde terá agendas com empresários e autoridades locais para fortalecer laços comerciais e de segurança.
No evento no Congresso paraguaio, Saar reforçou que Israel não recuará de sua política de ataques preventivos contra grupos armados apoiados por potências externas.
“Enquanto o Hezbollah não for desarmado, o Líbano permanecerá, de fato, sob ocupação iraniana”, afirmou aos parlamentares.
Israel mantém canais de cooperação abertos com o Serviço de Inteligência do Paraguai.
As advertências de Saar chegam em um momento em que diversos governos da região têm intensificado o monitoramento de atividades irregulares ligadas a organizações do Oriente Médio.
O chanceler israelense encerra sua viagem pela América do Sul com o objetivo de ampliar a coordenação política e de segurança, alinhado à estratégia de Jerusalém de impedir a formação de “corredores de terror” que conectem grupos armados e máfias criminosas através do Atlântico e de áreas fronteiriças da região.
(Com informações da EFE)