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O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) afirmou, em entrevista publicada no YouTube, que está “seguro” nos Estados Unidos com a “anuência do governo americano” após deixar o Brasil para evitar que suas filhas o vissem ser preso. A declaração foi dada ao programa Conversa Timeline, apresentado pelo jornalista Allan dos Santos, também foragido da Justiça brasileira desde 2021.
Segundo Ramagem, sua saída do país foi motivada pelo temor de uma prisão que, segundo ele, ocorreria “sem ter cometido crime nenhum”.
“É lógico que eu não ia ficar no Brasil, com as minhas filhas me vendo ser preso sem ter cometido crime nenhum e sofrendo diante de uma ditadura”, afirmou.
Ele acrescentou que “hoje estou seguro aqui [nos Estados Unidos] com anuência do governo americano. Essa perseguição contra mim é grave, a gente só vai tomar ciência e dos porquês disso ao longo do tempo.”
O deputado também disse ter recebido apoio direto de representantes norte-americanos.
“Digo nas palavras do governo americano para mim: ‘Que bom que temos um amigo que está em segurança e a salvo aqui nos EUA’. Então, a gente tem esse apoio dos norte-americanos”, afirmou.
A fuga de Ramagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar sua prisão preventiva. O ex-diretor da Abin foi condenado pelo Supremo a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Na mesma entrevista, Ramagem criticou duramente o ministro. Ele classificou Moraes como “ministro violador de direitos humanos, sancionado internacionalmente” e mencionou a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, dizendo:
“Hoje [22.nov], é o dia da conclusão de toda a canalhice contra o Estado brasileiro, da consumação de toda a perseguição política, toda destruição do direito contra um homem que representa uma ideia e um movimento. Um homem que falava sozinho e que arregimentou uma população para o melhor do Brasil, o melhor do brasileiro.”
A revista Timeline, que publicou a entrevista, é comandada por Allan dos Santos, Max Cardoso e Luís Ernesto Lacombe, e tem linha editorial alinhada à direita, crítica ao STF e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de apoiar Jair Bolsonaro.
A Câmara dos Deputados informou que não foi comunicada sobre a saída de Ramagem do Brasil e que não há autorização para que o parlamentar integre missão oficial no exterior.
Apesar de o deputado ter apresentado atestados médicos cobrindo os períodos de 9 de setembro a 8 de outubro e de 13 de outubro a 12 de dezembro de 2025, os registros da Casa mostram que ele participou de votações durante esses intervalos — inclusive em uma sessão presencial realizada em outubro.
A delegada Rebeca Ramagem, esposa do parlamentar, também comentou a viagem. Em uma publicação feita no domingo (23.nov), ela mostrou o momento em que chegou aos Estados Unidos com as filhas e encontrou o marido no aeroporto, sem detalhar como ele entrou no país.
Ela afirmou que a decisão de deixar o Brasil foi tomada para manter a família unida e declarou que o deputado enfrenta uma “perseguição política desumana”.