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O primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, Chris Minns, visitou nesta segunda-feira (15) o comerciante Ahmed al Ahmed, de 43 anos, no hospital, após o homem ter arriscado a própria vida para desarmar um dos atiradores durante o ataque a tiros ocorrido em Bondi Beach, em Sydney, na noite de domingo. A ação heroica aconteceu durante uma celebração judaica de Hanukkah e, segundo as autoridades, foi decisiva para evitar que o número de vítimas fosse ainda maior. O atentado deixou ao menos 16 mortos e dezenas de feridos.
Os rostos da tragédia: de criança a sobrevivente do Holocausto, quem são as 16 vítimas do ataque antissemita na Austrália
Ahmed está internado no Hospital St George, em Kogarah, onde se recupera de uma cirurgia após sofrer múltiplos ferimentos por arma de fogo no braço esquerdo. Pai de duas meninas, de cinco e seis anos, ele foi atingido ao entrar em luta corporal com um dos atiradores no meio do caos provocado pelo ataque.
Após a visita, Minns publicou uma foto ao lado de Ahmed em seu leito hospitalar e o descreveu como “um herói da vida real”. “Não há dúvida de que muitas outras vidas teriam sido perdidas se não fosse pela coragem altruísta de Ahmed”, afirmou o premier. Segundo ele, a atitude do comerciante simboliza o melhor da sociedade australiana em um momento marcado pela violência e pelo medo.
“Faria tudo de novo”, diz Ahmed
Mesmo enfrentando dores intensas e um quadro clínico considerado grave, Ahmed afirmou, por meio de seu advogado Sam Issa, que não se arrepende do que fez. “Ele não lamenta sua decisão. Disse que faria tudo de novo. Mas a dor começou a afetá-lo”, declarou Issa a veículos de imprensa locais após visitar o cliente.
O estado de saúde do comerciante inspira cuidados. De acordo com o advogado, Ahmed sofreu cerca de cinco tiros no braço esquerdo, além de ter uma bala alojada no ombro, que ainda não foi retirada. Ele também perdeu uma quantidade significativa de sangue durante o ataque e corre o risco de perder o braço. “Ele não está nada bem. Está crivado de balas. Nosso herói está lutando”, disse Issa.
Imagens mostram ação decisiva
Vídeos gravados por testemunhas mostram o momento em que Ahmed se esconde atrás de carros estacionados na Campbell Parade, próxima à praia, antes de avançar de surpresa por trás contra o atirador. Em uma luta prolongada, ele consegue arrancar o rifle das mãos do agressor e derrubá-lo no chão, ajudando a interromper os disparos.
Segundo o primo de Ahmed, Jozay Alkanj, pouco antes de agir, o comerciante fez uma declaração que hoje ecoa como um testemunho de sua coragem. “Ele me disse: ‘Vou morrer. Por favor, vá até a minha família e diga que morri salvando a vida das pessoas’”, contou.
Os dois haviam passado pela região momentos antes do início do ataque, quando foram convidados a pegar comida no evento de Hanukkah. “Precisávamos de um café”, explicou Alkanj. “Foi apenas cerca de dez minutos antes de tudo acontecer.”
Ataque terrorista durante celebração judaica
O atentado ocorreu durante o evento “Chanukah by the Sea” (Hanukkah à beira-mar), que reunia centenas de pessoas em Bondi Beach. Dois homens armados abriram fogo contra a multidão. Eles foram identificados como Sajid Akram, de 50 anos, morto pela polícia no local, e seu filho Naveed Akram, de 24, que foi baleado, detido e segue internado sob escolta policial em estado crítico.
As autoridades australianas informaram que os dois suspeitos teriam jurado lealdade ao Estado Islâmico, e o ataque foi oficialmente classificado como ato de terrorismo, direcionado contra a comunidade judaica de Sydney.
Gratidão à Austrália
Ahmed al Ahmed é um comerciante de tabaco nascido na Síria, que chegou à Austrália em 2006. Ele obteve a cidadania australiana em 2022, algo que, segundo familiares e seu advogado, tem grande significado para ele.
Os pais de Ahmed, Fateh e Malaka, estiveram no hospital para visitá-lo e relataram que o filho demonstrava “bom ânimo”, apesar da gravidade do quadro. “Ele disse que agradece a Deus por ter conseguido fazer isso, por ajudar pessoas inocentes e salvar vidas desses monstros, desses assassinos”, afirmou o pai.
De acordo com Sam Issa, Ahmed se sente “em dívida” com a sociedade australiana. “Ele é um homem humilde, não busca atenção da mídia. Essa foi a maneira dele de expressar gratidão por estar na Austrália, por ter recebido a cidadania”, explicou o advogado.
Outro primo, identificado como Mostafa, afirmou que Ahmed é “absolutamente um herói” e que estava disposto a dar a própria vida para salvar outras pessoas. Segundo ele, o comerciante relatou que sentiu receber de Deus “uma força que nunca teve antes”.
Campanha arrecada mais de US$ 665 mil
A comoção em torno da história de Ahmed se espalhou rapidamente pela Austrália e pelo mundo. Uma campanha criada na plataforma GoFundMe para ajudar no tratamento e na recuperação do comerciante arrecadou mais de 1 milhão de dólares australianos, o equivalente a cerca de US$ 665 mil, em poucas horas, com mais de 18 mil doações.
O maior doador individual foi o bilionário americano Bill Ackman, que contribuiu com 99.999 dólares australianos e divulgou a campanha em sua conta na rede social X. O gesto impulsionou ainda mais a mobilização em apoio ao australiano de origem síria.
Reconhecimento internacional
A coragem de Ahmed também foi reconhecida por líderes internacionais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou publicamente a atitude do comerciante. “Houve uma pessoa muito, muito corajosa que avançou diretamente contra um dos atiradores. Ele salvou muitas vidas. Tenho enorme respeito pelo homem que fez isso”, afirmou.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, classificou o ataque como “um ato de pura maldade” e destacou a bravura demonstrada por cidadãos comuns. “Vimos australianos correndo em direção ao perigo para ajudar outras pessoas. Esses australianos são heróis, e sua coragem salvou vidas”, declarou.
Já Chris Minns ressaltou os “atos extraordinários de coragem pessoal” observados durante o ataque. “Ainda existem australianos maravilhosos e corajosos, dispostos a arriscar a própria vida para ajudar um completo desconhecido”, afirmou.
Vítimas e investigação
Entre as 16 vítimas fatais do ataque estão uma menina de 10 anos, o rabino Eli Schlanger, um dos organizadores do evento, e Alex Kleytman, sobrevivente do Holocausto de 87 anos. Dezenas de pessoas ficaram feridas, incluindo dois policiais, que permanecem em estado crítico.
As investigações seguem em andamento, com a atuação conjunta da polícia estadual, da Polícia Federal Australiana e de agências de inteligência. As autoridades buscam esclarecer todos os detalhes do ataque e possíveis conexões com grupos extremistas, enquanto reforçam medidas de segurança para a comunidade judaica em Sydney.
*Com informações de agências internacionais