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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu neste domingo que Delcy Rodríguez, dirigente chavista responsável pela transição política na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro, “pagará um preço muito alto” caso não colabore com os planos norte-americanos para o país.
“Se ela não fizer a coisa certa, vai pagar um preço muito grande, provavelmente maior do que o de Maduro”, afirmou Trump em entrevista por telefone à revista The Atlantic.
A declaração ocorre um dia depois de forças dos Estados Unidos realizarem uma operação relâmpago em Caracas, que resultou na prisão de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados para Nova York, onde permanecem sob custódia e enfrentam acusações de narcoterrorismo.
Segundo Trump, o futuro da Venezuela dependerá da resposta de Delcy Rodríguez à operação conduzida por Washington.
“Não vou permitir que tudo continue como sempre foi. Se houver resistência, haverá consequências”, reforçou o presidente.
Na conversa com a The Atlantic, Trump afirmou que a postura de seu governo em relação à Venezuela representa uma mudança em comparação com sua posição inicial sobre mudanças de regime.
“Reconstruir o país — ou chamar isso de mudança de regime — é melhor do que o que eles têm agora. Não tem como piorar”, disse, ao ser questionado sobre diferenças em relação a intervenções anteriores no Iraque ou no Afeganistão.
Para Trump, a Venezuela é atualmente um “Estado falido”, e a restauração da ordem é tratada como prioridade estratégica para os Estados Unidos.
“Os Estados Unidos precisam manter o controle do hemisfério ocidental”, declarou. Ele ressaltou, no entanto, que a decisão de capturar Maduro não se baseou apenas em fatores geográficos, mas principalmente na gravidade da crise institucional e humanitária venezuelana.
“O país foi para o inferno. É um desastre em todos os sentidos”, afirmou.
Reação de Delcy Rodríguez
A tensão entre Trump e Delcy Rodríguez se intensificou após a dirigente chavista rejeitar qualquer submissão a um mandato dos Estados Unidos.
“Nunca mais seremos uma colônia”, declarou Rodríguez, prometendo defender os recursos naturais do país e exigir a libertação de Maduro.
Trump, porém, voltou a adotar um tom duro e deixou claro que não aceitará uma postura de enfrentamento.
“Ela precisa fazer a coisa certa”, reiterou.
O presidente norte-americano também afirmou que não descarta uma nova rodada de ações militares na Venezuela, caso avalie que Rodríguez e remanescentes do regime chavista tentem resistir ao processo de transição.
“Se ela não cooperar, a pressão vai aumentar e o custo será maior do que o que Maduro pagou”, sentenciou.
Impacto regional
A entrevista também abordou as implicações regionais da operação. Trump afirmou que a ação na Venezuela pode servir de recado a outros países sob regimes autoritários, citando o cenário geopolítico do Caribe e o interesse dos Estados Unidos em manter a estabilidade no hemisfério.
Na avaliação do presidente, a captura de Maduro é apenas uma etapa de uma estratégia mais ampla para conter a influência de governos hostis e proteger os interesses de segurança nacional dos EUA.
O secretário de Estado, Marco Rubio, apoiou publicamente as declarações de Trump e afirmou que a comunidade internacional deve levar as advertências a sério.
“Quando ele diz que vai resolver um problema, ele cumpre”, disse Rubio, classificando a operação na Venezuela como um sinal claro para países que desafiam a política de Washington.
Enquanto isso, o futuro político da Venezuela permanece indefinido. Sob forte pressão internacional e diante das ameaças explícitas feitas por Trump, Delcy Rodríguez enfrenta o desafio de definir sua estratégia tanto perante a comunidade internacional quanto diante dos setores internos que ainda apoiam o regime deposto.