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As recentes aparições televisivas do presidente Nicolás Maduro tiveram peso decisivo na avaliação do governo dos Estados Unidos que levou ao ataque militar contra a Venezuela no último sábado (3). A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times, com base em relatos de fontes ligadas à Casa Branca.
Segundo o jornal, aliados do presidente norte-americano Donald Trump interpretaram as demonstrações públicas de descontração e indiferença de Maduro como uma tentativa de testar os limites do que ele acreditava ser um blefe de Washington. As apresentações do líder venezuelano na televisão estatal chamaram a atenção da equipe de Trump nas semanas que antecederam a operação.
Em um evento oficial no dia 31 de dezembro, Maduro apareceu dançando ao som de música eletrônica que repetia frases como “paz sim” e “não à guerra”, inclusive em inglês. Na ocasião, ironizou ao afirmar que a canção seria “a número 1 da temporada venezuelana” e que não poderia ficar fora da lista da Billboard. Durante o mesmo evento, discursou pedindo paz e enviou mensagens diretas aos norte-americanos contra o que chamou de “guerra louca”.
Dias antes, em um comício realizado em 10 de dezembro, Maduro também cantou e dançou a música “Don’t Worry, Be Happy”, de Bobby McFerrin, dedicando a apresentação aos cidadãos dos Estados Unidos que, segundo ele, seriam contrários a uma guerra na região.
De acordo com o The New York Times, enquanto essas aparições eram transmitidas pela TV estatal venezuelana, autoridades norte-americanas discutiam na Casa Branca a resposta ao impasse político. Maduro teria se recusado a aceitar um ultimato feito por Trump no fim de dezembro, que exigia sua renúncia e a ida para a Turquia em um exílio negociado.
No sábado (3), Trump anunciou, por meio da rede Truth Social, que os Estados Unidos realizaram uma operação militar em território venezuelano e capturaram Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general Dan Caine, afirmou que a ordem para a ação foi dada por Trump na noite de sexta-feira (2).
A operação incluiu ataques a quatro alvos estratégicos no país, com a participação de cerca de 150 aeronaves de combate, além do uso de helicópteros militares para o transporte de tropas até Caracas. Segundo autoridades americanas, a missão durou pouco mais de duas horas e teve como objetivo neutralizar sistemas de defesa aérea e capturar o líder venezuelano.
A ofensiva gerou questionamentos internacionais sobre a legalidade da ação, já que não houve autorização prévia do Conselho de Segurança da ONU. Também surgiram dúvidas sobre o cumprimento da legislação dos Estados Unidos, que prevê a necessidade de aval do Congresso para operações militares desse porte. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que não foi possível avisar os congressistas com antecedência.
Até o momento, não há informações oficiais consolidadas sobre o número de mortos ou feridos. Autoridades venezuelanas afirmaram que civis morreram durante a operação, enquanto um oficial americano declarou que não houve baixas entre militares dos EUA, sem comentar eventuais vítimas do lado venezuelano.
Após a captura de Maduro, Trump afirmou que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração da Venezuela até a definição de uma transição política. Pela Constituição do país, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio manteve contato com Rodríguez e que ela teria sinalizado disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.
Em pronunciamento ao vivo no sábado, Delcy Rodríguez contestou as declarações do presidente norte-americano, classificou a operação como uma violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país. Ela também declarou que a Venezuela está aberta ao diálogo com os Estados Unidos, desde que a relação seja baseada no direito internacional. “Não seremos colônia de nenhum outro país”, afirmou.