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O aparato de propaganda estatal do Irã sofreu, neste domingo (18), um de seus maiores abalos. Um grupo de hackers conseguiu invadir simultaneamente todos os canais da televisão pública iraniana e transmitiu, em rede nacional, uma mensagem do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, que vive no exílio e conclamou a população a se rebelar contra o regime islâmico.
A interrupção da programação normal durou vários minutos e ocorreu em meio a uma das mais graves crises políticas e sociais enfrentadas pelo país nas últimas décadas.
A ação aconteceu enquanto o Irã vive uma onda de protestos iniciada pelo aumento do custo de vida, que rapidamente se transformou em um movimento nacional contra a teocracia no poder. Organizações de direitos humanos relatam milhares de mortes provocadas pela repressão estatal. Segundo a ONG Iran Human Rights, ao menos 3.428 pessoas morreram, embora estimativas independentes apontem que o número de vítimas possa chegar a 20 mil, em um cenário de forte censura e bloqueio da internet.
Durante a transmissão, Reza Pahlavi pediu que os iranianos não cedam à repressão e se organizem para promover uma mudança política profunda. Até então, o discurso circulava apenas em redes sociais e plataformas bloqueadas no país, mas, desta vez, foi exibido pela própria televisão estatal, alcançando milhões de telespectadores. O episódio evidenciou falhas no sistema de comunicação do regime e ampliou o impacto simbólico do líder oposicionista no exílio.
O ataque cibernético ocorre em um momento de severas restrições ao acesso à internet. A organização de monitoramento NetBlocks informou que, após dez dias de bloqueio quase total, o tráfego de dados voltou a cair depois de uma breve normalização parcial. Segundo a entidade, as restrições visam ocultar a dimensão real da repressão e dificultar a circulação de informações. “Durante esse curto período, alguns iranianos conseguiram relatar com mais detalhes o que está acontecendo no país”, afirmou a organização.
Em resposta à pressão interna e internacional, o governo iraniano anunciou a reabertura de escolas e declarou um suposto retorno à “normalidade”, ao mesmo tempo em que endureceu o discurso oficial. O presidente Masud Pezeshkian afirmou que qualquer ataque ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, seria considerado uma declaração de guerra contra a nação iraniana.
As autoridades também acusaram Estados Unidos e Israel de incentivarem a “sedição” e ameaçaram aplicar punições severas, incluindo condenações à morte, contra líderes dos protestos. O porta-voz do Judiciário, Asghar Jahangir, declarou que os envolvidos enfrentarão julgamentos rápidos e não terão direito a perdão estatal.
Apesar do bloqueio informativo e do controle rigoroso sobre os meios de comunicação, a transmissão do discurso de Pahlavi pela TV estatal representa um marco inédito. Nunca antes uma mensagem de oposição havia conseguido romper, em tempo real, o sistema oficial de comunicação do regime e alcançar todo o país.
O episódio ocorre em meio ao aumento da pressão internacional. Grandes manifestações em apoio aos protestos no Irã foram registradas em cidades como Berlim, Londres e Paris, onde milhares de pessoas pediram o fim da repressão e o respeito aos direitos humanos.