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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que a Venezuela “vai se sair fantásticamente bem” após a queda de Nicolás Maduro, garantindo que o país sul-americano ganhará mais dinheiro nos próximos meses do que nos últimos 20 anos. As declarações foram feitas durante discurso a líderes empresariais e chefes de Estado reunidos no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
Trump destacou que os líderes que sucederam Maduro foram “muito inteligentes” ao firmar um acordo com os EUA após a recente intervenção americana no país.
“A Venezuela vai se sair fantasticamente bem. Vai ganhar mais dinheiro nos próximos seis meses do que nos 20 anos anteriores”, prometeu o presidente americano.
Ele acrescentou que os Estados Unidos compartilharão 50 milhões de barris de petróleo com a Venezuela e levarão grandes companhias petrolíferas ao país, o que, segundo ele, fará com que a nação sul-americana “ganhe mais dinheiro do que ganhou em muito tempo”.
“O governo do país tem sido muito bom… muito, muito inteligente”, completou Trump, elogiando a nova liderança venezuelana, presidida interinamente por Decly Rodriguez.
Groenlândia: negociações imediatas pedidas por Trump
No tema que mais gerou tensão com aliados europeus, Trump defendeu a importância estratégica da Groenlândia para a segurança nacional americana e pediu negociações “imediatas” sobre o controle do território. Autoridades europeias rejeitaram veementemente suas propostas.
Trump afirmou que havia considerado remover o tema de seu discurso, mas reconheceu que “é o assunto que todos querem saber”. Ele descreveu a Groenlândia como “um território vasto, quase desabitado e sem desenvolvimento, situado estrategicamente entre EUA, Rússia e China”. Destacou ainda que sua importância cresceu com a relevância dos metais de terras raras presentes no local.
“Não precisamos da Groenlândia pelos recursos, precisamos por segurança nacional estratégica e segurança internacional”, disse Trump. Segundo ele, a ilha faz parte da América do Norte e, portanto, é “nosso território”, caracterizando-a como “um interesse fundamental de segurança nacional” dos EUA.
O presidente americano alertou que os EUA “lembrarão” se a Europa não aceitar sua proposta de tomar a Groenlândia, justificando que o país poderia ter tomado o território sem resistência, mas optou por não fazê-lo.
Trump também criticou o baixo investimento da Dinamarca na OTAN, alegando que apenas os EUA poderiam proteger a Groenlândia. Ele afirmou que não deseja usar a força, mas que, se fosse necessário, os Estados Unidos seriam “imparáveis”.
Historicamente, o território nunca pertenceu aos EUA, sendo parte do Reino da Dinamarca. Durante a Segunda Guerra Mundial, bases militares americanas foram estabelecidas na ilha, mas sem transferir propriedade. Em 1946, o presidente Harry Truman chegou a propor secretamente a compra da Groenlândia, mas os dinamarqueses rejeitaram.
Canadá e defesa norte-americana
Trump mencionou seu sistema de defesa “Golden Dome” (Cúpula Dourada) e afirmou que ele protegerá também o Canadá.
“Canadá recebe muitas coisas de graça de nós. Eles deveriam estar agradecidos, mas não estão. Canadá vive graças aos Estados Unidos”, declarou, citando o primeiro-ministro canadense Mark Carney.
O presidente já havia sugerido em outras ocasiões que o Canadá deveria fazer parte dos Estados Unidos.
Ucrânia: “herdei um desastre”
Ao falar sobre a Ucrânia, Trump afirmou que “herdou um desastre” e reiterou que a guerra no país nunca deveria ter começado. Segundo ele, o conflito não teria ocorrido caso fosse presidente.
Trump também repetiu sem comprovação sua alegação de que as eleições presidenciais de 2020 foram “fraudadas”.
Críticas à Europa e às energias verdes
Trump afirmou que deseja compartilhar a “receita do sucesso americano” com outros países, mas criticou a situação de certos países europeus, afirmando que não são mais “reconhecíveis”.
O presidente também condenou a transição de fontes de energia fósseis para eólica e solar, chamando o movimento de “novo engano verde, talvez a maior fraude da história”. Ele citou altos custos de energia e redução da produção elétrica na Alemanha, e criticou o desperdício do potencial energético do Mar do Norte pelo Reino Unido.
Trump ainda atacou a “migração massiva sem controle”, ressaltando os laços históricos e culturais entre EUA e Europa, e afirmou que questões como energia, comércio, imigração e crescimento econômico devem ser prioridades para manter o Ocidente forte e unido.
Economia e política interna
Trump afirmou que os EUA terão “crescimento como nenhum outro país já viu” e que “quando os EUA prosperam, o mundo inteiro prospera”. Ele garantiu que a inflação foi “derrotada” sob sua administração, destacando crescimento econômico previsto de 5,4% para o quarto trimestre de 2024.
O presidente também anunciou que planeja nomear um novo presidente para o Federal Reserve em breve, criticou políticas de compra de imóveis por grandes investidores e disse ter assinado uma ordem executiva para proteger o acesso à moradia.
Sobre segurança, Trump elogiou medidas de redução do crime em Washington D.C. e se disse pronto para apoiar ações semelhantes na Califórnia, inclusive na deportação de criminosos estrangeiros reincidentes.
Tensão com aliados europeus
A visita de Trump a Davos ocorre em meio a tensões com aliados europeus devido às ameaças de tarifas sobre Dinamarca e outros sete países caso não aceitem negociar a transferência da Groenlândia.
Líderes europeus reagiram antes mesmo do discurso: o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que não cederá a ameaças; Emmanuel Macron alertou para o risco de “aceitar a lei do mais forte”; e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou que qualquer tarifa teria resposta “inflexível, unida e proporcional”.
A chegada de Trump à Suíça foi atrasada devido a um problema elétrico no Air Force One, mas o discurso não sofreu alterações. Entre os presentes estavam empresários e bilionários, como Michael Dell e Marc Benioff, do Salesforce.