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O embaixador da Rússia na Organização das Nações Unidas (ONU), Vasili Nebenzia, negou a existência de “traidores” em Cuba que colaborem com os Estados Unidos e afirmou que a situação no país caribenho é diferente do que ocorreu na Venezuela, onde, segundo ele, houve traição interna contra o governo de Nicolás Maduro.
De acordo com Nebenzia, “na Venezuela, sem dúvida, houve uma traição. É algo que se fala de forma totalmente aberta. Parte dos altos funcionários, de fato, traiu o presidente”. Em entrevista à televisão estatal russa, o diplomata acrescentou: “Esse truque não vai funcionar em Cuba”.
Maduro é considerado o principal aliado do Kremlin na América Latina, com Cuba ocupando uma posição secundária na estratégia regional da Rússia. Moscou tem defendido a libertação de Maduro, enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, que recebeu o líder venezuelano em maio de 2025, tem evitado críticas diretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O regime cubano, por sua vez, manifestou rejeição à decisão dos Estados Unidos de impor tarifas adicionais a países que vendam ou forneçam petróleo à ilha. Havana classificou a medida como “uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos”.
Segundo dados do Instituto de Energia da Universidade do Texas, a Rússia forneceu a Cuba cerca de 6 mil barris diários de petróleo em 2024, ajudando a sustentar parte do abastecimento energético do país.
Recentemente, o Kremlin classificou como “alarmantes” as informações sobre a possibilidade de um bloqueio total imposto pelos Estados Unidos a Cuba, com o objetivo de forçar uma mudança de regime na ilha.
Na semana passada, o ministro do Interior da Rússia, Vladimir Kolokóltsev, reuniu-se com Raúl Castro durante visita oficial a Cuba. Na ocasião, Kolokóltsev classificou o “ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela em 3 de janeiro de 2026” como uma agressão militar e apresentou condolências aos familiares de agentes do Ministério do Interior e das Forças Armadas Revolucionárias que morreram durante os episódios descritos como trágicos.
No Kremlin, Putin reafirmou que Moscou apoia “a determinação de Havana na defesa de sua soberania e independência”. Em março de 2025, Rússia e Cuba firmaram um acordo de cooperação militar, reforçando a relação bilateral e consolidando Moscou como um dos principais parceiros comerciais e estratégicos da ilha.
Trump afirma que Cuba “não poderá sobreviver”
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na noite de quinta-feira que “Cuba não poderá sobreviver” após determinar a imposição de tarifas a países que forneçam petróleo ao regime cubano. A declaração foi feita durante conversa com jornalistas na apresentação de um documentário sobre a primeira-dama americana, Melania Trump.
“Parece que não poderá sobreviver. Cuba não poderá sobreviver”, afirmou o presidente ao responder perguntas da imprensa no evento.
Questionado sobre se o objetivo do governo americano seria “asfixiar” Cuba economicamente, Trump disse que o termo é “muito forte”, mas descreveu o país como uma “nação em decadência”.
“É preciso ter compaixão por Cuba. Eles trataram muito mal o povo. Temos muitos cubano-americanos que foram tratados de forma terrível e que provavelmente gostariam de voltar”, declarou.
As falas do presidente ocorreram poucas horas após a assinatura de uma ordem executiva que autoriza a imposição de tarifas a países que abastecem Cuba com petróleo. Segundo Washington, a medida busca intensificar a pressão econômica sobre a ilha e aprofundar uma crise que, de acordo com o governo americano, se agravou após a interrupção do envio de petróleo da Venezuela.