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O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, autorizou a abertura de negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear da República Islâmica, informou nesta segunda-feira (2) a agência de notícias Fars, citando fonte oficial do governo. A decisão ocorre após o presidente norte-americano Donald Trump demonstrar otimismo quanto à possibilidade de um acordo para evitar uma intervenção militar.
Segundo o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baqai, países da região, como Egito, Arábia Saudita e Turquia, atuam como mediadores no intercâmbio de mensagens entre os dois governos. “Estamos analisando e finalizando os detalhes de cada etapa do processo diplomático, que esperamos concluir nos próximos dias. Isso envolve o método e o marco de trabalho”, disse Baqai. Ele também negou que Teerã tenha recebido ultimato de Trump, ressaltando que o Irã “nunca aceita ultimatos”.
O anúncio ocorre em um momento de intensa pressão sobre Teerã, após a repressão violenta a uma onda de protestos iniciada no início de janeiro contra o aumento do custo de vida, que acabou se transformando em um movimento contra o regime teocrático que governa o país desde a Revolução de 1979. Segundo a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), mais de 42 mil pessoas foram detidas durante os protestos, e 6.842 teriam morrido, a maioria manifestantes. Autoridades iranianas afirmam que grande parte das mortes teria sido de agentes de segurança ou civis atingidos por “terroristas”.
Negociações em alto nível
Ainda não há definição sobre local ou data para as conversas, que devem ocorrer em alto nível, com a participação do chanceler iraniano Abás Araqchi e do enviado especial de Trump, Steve Witkoff. Em 2025, uma breve rodada de negociações entre os países já havia ocorrido, mas estagnou sobre a questão do enriquecimento de urânio. Os EUA exigem que o Irã renuncie completamente ao enriquecimento, algo que Teerã se recusa a aceitar, alegando direito garantido pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
“Trump diz ‘não às armas nucleares’ e estamos totalmente de acordo com esse ponto. Por outro lado, esperamos o levantamento das sanções”, afirmou Araqchi. Ele acrescentou que o acordo é possível, reforçando que “não se trata de coisas impossíveis”.
O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, ameaçou na véspera desencadear uma “guerra regional” caso haja ação militar americana. Enquanto isso, o regime continua reprimindo opositores. A televisão estatal informou a detenção de quatro cidadãos estrangeiros por participação em distúrbios.
Em resposta às recentes sanções e declarações do Ocidente, em especial da União Europeia, que designou os Guardiões da Revolução como “organização terrorista”, Baqai alertou que a convocação de embaixadores europeus em Teerã é apenas “uma medida mínima”, indicando que novas represálias podem ser anunciadas em breve.
O cenário reflete uma tensão crescente entre Teerã e Washington, enquanto ambos os lados buscam evitar um conflito direto, mas mantêm posições firmes sobre o programa nuclear e a segurança regional.
(Com informações da AFP)