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Documentos recém-divulgados pelo FBI revelam que Jeffrey Epstein negociava uma possível cooperação com autoridades federais dos Estados Unidos poucas semanas antes de morrer na prisão, em 2019. Segundo os registros, advogados do financista acusado de tráfico sexual se reuniram com promotores federais apenas duas semanas antes de sua morte, ocorrida enquanto ele aguardava julgamento em uma penitenciária de Manhattan.
De acordo com um relatório do FBI tornado público na semana passada, o encontro ocorreu em 29 de julho de 2019. Na ocasião, a defesa de Epstein discutiu, de forma genérica, a possibilidade de um acordo para encerrar o processo e a eventual cooperação do réu com a Justiça. No entanto, os advogados não apresentaram uma proposta formal nem detalharam em que consistiria essa colaboração.
Outro documento referente à mesma reunião afirma que os promotores orientaram a defesa a procurar o gabinete do procurador federal do Distrito Sul de Nova York caso Epstein estivesse disposto a assumir responsabilidade por seus atos ou apresentar uma proposta concreta de acordo.
Epstein, então com 66 anos, foi encontrado morto em agosto de 2019, em uma cela de um presídio federal em Lower Manhattan. As autoridades classificaram o caso como suicídio. O financista enfrentava acusações de comandar uma ampla rede de tráfico sexual envolvendo meninas e mulheres, com conexões que incluíam líderes políticos, bilionários e figuras influentes de Hollywood.
Na última sexta-feira, o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) divulgou o maior volume de documentos do caso até agora: cerca de 3,5 milhões de páginas de materiais investigativos relacionados à rede de abusos atribuída a Epstein e à sua ex-assessora, Ghislaine Maxwell.
Dias depois, o DOJ informou a um juiz federal que precisou retirar milhares de documentos e arquivos de mídia que teriam sido divulgados inadvertidamente contendo informações que poderiam identificar vítimas. Em carta, o procurador federal de Manhattan, Jay Clayton, afirmou que o departamento trabalhou durante todo o fim de semana para corrigir falhas decorrentes de erros técnicos ou humanos.
A divulgação dos arquivos ocorre após a aprovação, pelo Congresso americano, da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, que determinou a liberação pública de todos os registros da investigação, com a ressalva de que as vítimas não poderiam ser expostas.
Até o momento, Epstein e Ghislaine Maxwell — condenada a 20 anos de prisão — são os únicos responsabilizados criminalmente no caso. Em documentos apresentados à Justiça em dezembro, Maxwell afirmou que 25 supostos cúmplices firmaram acordos com vítimas e nunca foram denunciados. Outros quatro ex-funcionários de Epstein teriam sido citados em um acordo de não persecução penal, sem que seus nomes fossem revelados.
Entre os nomes mais conhecidos associados ao escândalo está o do príncipe Andrew, do Reino Unido, acusado por Virginia Giuffre de abuso sexual quando ela era menor de idade — alegação que ele nega. A nova leva de documentos também expôs vínculos de Epstein com diversas outras figuras poderosas, reacendendo o constrangimento em torno do caso anos após sua morte.
