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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta quinta-feira (5) a negociação de um tratado nuclear totalmente novo que substitua o New START, último acordo de controle de armas estratégicas entre EUA e Rússia, que expirou após 15 anos de vigência. Em mensagem publicada em sua rede social Truth Social, Trump rejeitou a prorrogação do pacto — assinado em 2010 pelo então presidente Barack Obama — e o classificou como um acordo “mal negociado pelos Estados Unidos” e que estaria sendo “grotescamente violado”.
“Em vez de estender o tratado New START, deveríamos encarregar nossos especialistas nucleares de trabalhar em um tratado novo, melhorado e modernizado, que possa perdurar no futuro”, escreveu Trump. O presidente acrescentou que “os Estados Unidos são o país mais poderoso do mundo” e destacou ter reconstruído “por completo” as forças armadas durante seus dois mandatos, incluindo o desenvolvimento de “novas armas nucleares e muitas outras modernizadas”.
O fim do New START marca o término de mais de meio século de acordos de controle de armas entre as duas maiores potências nucleares do planeta. O tratado limitava ambos os países a 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas e 700 sistemas de lançamento operacionais. Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, o momento representa “um marco grave para a paz e a segurança internacional”, já que, pela primeira vez desde a década de 1960, não há limites vinculantes sobre os arsenais estratégicos de Washington e Moscou.
Apesar disso, Trump e membros de seu governo ainda ignoraram propostas russas para negociar um novo pacto. Em setembro de 2025, o presidente Vladimir Putin sugeriu que ambos os países continuassem a respeitar voluntariamente os limites do New START por mais um ano após sua expiração, com possibilidade de prorrogação. Trump reagiu de forma inicial positiva, mas nunca formalizou uma resposta oficial. O presidente tem insistido que qualquer novo tratado inclua a China, cujo arsenal nuclear, embora menor que o dos EUA ou Rússia, cresce rapidamente.
De acordo com o Instituto Internacional de Estocolmo para a Pesquisa da Paz (SIPRI), a China possuía cerca de 600 ogivas nucleares em 2025, após ter dobrado seu arsenal desde 2020. Pequim adiciona aproximadamente 100 novas ogivas por ano, ritmo mais rápido entre todas as potências nucleares. O Pentágono estima que o arsenal chinês poderá superar 1.000 ogivas até 2030 e atingir 1.500 até 2035. Apesar disso, a China recusou-se a participar de negociações tripartites, afirmando que seu arsenal é uma fração mínima em comparação com EUA e Rússia, que juntos concentram quase 90% das armas nucleares do mundo.
Trump também destacou a criação da Força Espacial, que desde seu primeiro mandato se tornou uma das oito ramificações das Forças Armadas norte-americanas, e afirmou ter “evitado que estourassem guerras nucleares no mundo entre Paquistão e Índia, Irã e Israel, e Rússia e Ucrânia”. A Força Espacial integra o projeto Cúpula Dourada, sistema antimisiles destinado a interceptar mísseis intercontinentais em órbita baixa terrestre. Lançado em maio de 2025, o projeto tem orçamento estimado em US$ 175 bilhões, embora a Oficina de Orçamento do Congresso calcule que os custos podem chegar a US$ 831 bilhões em duas décadas.