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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (23) que existem “pontos de acordo importantes” nas negociações com o Irã, mas deixou claro que a condição inegociável de Washington é que Teerã abandone suas ambições nucleares e entregue suas reservas de urânio enriquecido. “Não queremos enriquecimento, mas também queremos o urânio enriquecido”, disse Trump aos jornalistas.
O presidente também foi direto sobre o cenário alternativo caso as negociações fracassem: os Estados Unidos “simplesmente seguirão bombardeando com todo o coração”, segundo suas palavras.
Trump afirmou ainda que o “câmbio de regime” no Irã já seria um fato consumado, devido à eliminação de altos funcionários durante o conflito. “Hemos eliminado ao liderança na fase um, fase dois, e em grande medida a fase três”, disse, em referência aos golpes militares que atingiram a cúpula do regime iraniano desde o início da guerra.
O presidente descreveu seus interlocutores iranianos como pessoas “muito razoáveis” e elogiou a presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, como modelo de liderança que espera encontrar também no Irã em um eventual governo pós-conflito.
Trump revelou que as negociações foram conduzidas no domingo à noite pelo enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e pelo seu genro Jared Kushner, com representantes iranianos. Ele ressaltou que os diálogos não envolvem o novo líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, mas uma pessoa que descreveu como um líder “respeitado” e de “mais alto nível”, sem revelar sua identidade.
As declarações de Trump contrastam com a versão de Teerã: a agência Mehr, citando o Ministério das Relações Exteriores iraniano, negou qualquer negociação com Washington e classificou o anúncio como uma manobra para “reduzir os preços da energia”.
Horas antes, Trump havia anunciado no Truth Social que ordenou ao Departamento de Guerra que adiasse todos os ataques militares contra a infraestrutura energética iraniana por cinco dias, condicionados ao sucesso das negociações.
O programa nuclear iraniano é um dos principais pontos de tensão entre Teerã e o Ocidente, e sua inclusão nas conversas mostra que Washington busca aproveitar o contexto bélico para avançar em uma agenda mais ampla.
O anúncio ocorre na quarta semana do conflito iniciado em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel começaram a bombardear o Irã, e que já deixou mais de 2.000 mortos. Poucas horas antes da pausa, a Guarda Revolucionária iraniana prometeu atacar centrais elétricas que abastecem bases americanas, e o Conselho de Defesa do Irã alertou que minaria todo o Golfo Pérsico caso suas costas ou ilhas fossem atacadas. Israel, por sua vez, iniciou uma nova onda de ataques à infraestrutura iraniana, mostrando que os aliados nem sempre atuam de forma coordenada.
As declarações de Trump causaram alívio nos mercados. Wall Street abriu em alta de mais de 1,4%, com o S&P 500 em 6.596 pontos e o Nasdaq avançando 1,6%. O petróleo Brent, que havia superado os 113 dólares por barril — quase 55% acima do início do conflito — caiu cerca de 10%, para 96 dólares. “Os mercados estão ouvindo o que realmente queriam ouvir: alguma sinal de que as hostilidades vão dar um tempo”, resumiu Steve Sosnick, da Interactive Brokers, alertando que a manutenção da alta dependerá do tráfego pelo estreito de Ormuz, que caiu 95% desde o início da guerra.