FOTO: JOHANNES EISELE/AFP/Getty Images)

Enquanto, publicamente, adotava um discurso elogioso em relação ao comportamento das autoridades da China diante da epidemia do novo coronavírus (covid-19), a Organização Mundial da Saúde (OMS) tentava, nos bastidores, obter informações que não eram compartilhadas pelos chineses, informa a reportagem publicada pela Associated Press nesta terça-feira (02).

Segundo a agência, que teve acesso a documentos internos e realizou diversas entrevistas, especialistas da OMS vinham se queixando desde janeiro da demora da China em compartilhar as primeiras informações sobre a covid-19 com a entidade.

De acordo com a Associated Press, o controle rígido da ditadura chinesa sobre a circulação de informações e a concorrência no sistema de saúde público do país teriam sido os principais responsáveis pelo atraso.

A China só divulgou o mapa genético da covid-19 depois que três laboratórios locais o decodificaram, e, após a publicação feita por um deles em um portal especializado em virologia, no dia 11 de janeiro. Apesar de dizerem publicamente que os chineses deram uma “resposta rápida” ao vírus, os dirigentes da OMS consideraram que houve, na verdade, lentidão na divulgação dos dados.

Depois disso, segundo a Associated Press, a China demorou ainda mais duas semanas para fornecer à OMS outros detalhes necessários sobre o início da epidemia de Covid-19 no país. Foram realizadas várias reuniões entre membros da entidade e do governo chinês em janeiro, em um momento em que o surto poderia ter sido amenizado, informa a reportagem.

Recentemente, os EUA acusaram a China de sonegar informações sobre o novo coronavírus e responsabilizaram Pequim pelo alastramento da doença em todo o mundo. A China rebateu e sempre negou que tenha escondido informações ou demorado a compartilhá-las.

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