terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Crise econômica e COVID-19 na Venezuela forçam migração e aumentam violência contra mulheres

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Agências e ONGs relatam estupros e outras agressões. Grupos armados controlam trilhas e capturam venezuelanas para trabalho forçado e tráfico sexual.

Organizações de direitos humanos e autoridades governamentais dizem que o fechamento das fronteiras com a Venezuela para conter a COVID-19 está criando condições mais perigosas para as mulheres, informou a rede de TV a cabo CNN.

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Desde o início da pandemia, em março deste ano, agências humanitárias como o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) relataram um aumento da violência baseada em gênero ao longo das regiões fronteiriças. E os homicídios ali cresceram 28,7% de abril a junho em comparação com o mesmo período em 2019.

O fardo de procurar trilhas como opção aos postos de controle cai nas costas mais frágeis. O ACNUR registrou um aumento de 7% no número de mulheres que permanecem em seus três abrigos na cidade colombiana de Cúcuta, dedicados às vítimas de violência sexual, em comparação com o que aconteceu entre abril e agosto de 2019. Das 257 mulheres que o ACNUR apoiou, a agência diz que quase a metade tinha passado por violência.

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Mas o aumento é anterior à pandemia. Em 2019, Profamilia, uma das principais organizações de direitos sexuais e reprodutivos da Colômbia, disse que ajudou 573 venezuelanas vítimas de violência sexual, um aumento de 92% em um ano. As regiões fronteiriças de La Guajira e Santander, onde Cúcuta está localizada, acumularam o maior número de ataques relatados.

Mais de 5.000 pessoas estão atualmente cruzando diariamente em ambas as direções através de trilhas, segundo a FundaRedes, uma ONG venezuelana que monitora os abusos dos direitos humanos nas fronteiras.

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Desde o fechamento delas em março, os homicídios aumentaram 28,7% em comparação com 2019, informou a ONG. Os desaparecimentos subiram 83,3% com os aumentos mais acentuados na venezuelana Táchira, a região fronteiriça mais próxima a Cúcuta. O Projeto Fuller, organização de mídia voltada para relatos de abusos humanos, não recebeu uma resposta da polícia de fronteira venezuelana sobre estes aumentos.

“[Grupos armados ilegais] controlam o território. Eles ameaçam a integridade das mulheres, muitas vezes com o objetivo de tráfico sexual ou trabalho forçado”, disse Javier Tarazona, diretor da FundaRedes. “A COVID-19 tornou o contexto fronteiriço mais opressivo, mais violento”.

A história de Gabriela Ochoa

Se Gabriela Ochoa soubesse o que aconteceria com ela junto ao Rio Táchira, que divide a Venezuela e a Colômbia, ela nunca teria atravessado. Mas o desespero com a crise econômica no governo de Nicolas Maduro foi maior.

A mãe solteira de 21 anos de idade perdeu em 2019 seu emprego em uma quitanda de frutas e não podia mais alimentar seus três filhos pequenos, todos com menos de cinco anos de idade. Mas foi atacada.

“Eles tinham armas, facas, todo tipo de coisas”, lembrou Gabriela.

Os homens agarraram seus filhos e ameaçaram levá-los embora se ela não os pagasse para atravessar.

“Eu pensei que eles iam nos matar”, disse.

Em lágrimas, Ochoa argumentou que não tinha dinheiro e implorou que os deixassem atravessar o rio. Os homens a arrastaram para trás de um arbusto e a estupraram.

“Foi horrível. Graças a Deus, eles não machucaram as crianças”, desabafou.

Nos últimos meses, mais de 100.000 venezuelanos que inicialmente fugiram para a Colômbia e outros países da região voltaram à terra natal através de pontos de fronteira colombianos, de acordo com as autoridades de migração colombianas.

Mas estima-se que cinco milhões ou mais de venezuelanos permanecem fora do país, segundo o ACNUR, no que foi descrito como o maior deslocamento em massa desde o início da guerra civil da Síria em 2011.

Gabriela diz que, apesar da situação precária na Colômbia, ela não voltará para a Venezuela tão cedo.

“Pelo menos aqui temos comida e um lugar para ficar”, disse.

Depois que a Colômbia levantou as restrições de fechamento no início de setembro, centenas de venezuelanos começaram a fazer suas malas novamente, prontos para fugir de uma crise econômica e sanitária ainda mais desoladora. A fronteira, no entanto, ainda está oficialmente fechada. As trilhas continuam sendo o caminho. Para o bem ou para o mal.

*

Agências e ONGs relatam estupros e outras agressões. Grupos armados controlam trilhas e capturam venezuelanas para trabalho forçado e tráfico sexual.

Organizações de direitos humanos e autoridades governamentais dizem que o fechamento das fronteiras com a Venezuela para conter a COVID-19 está criando condições mais perigosas para as mulheres, informou a rede de TV a cabo CNN.

Desde o início da pandemia, em março deste ano, agências humanitárias como o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) relataram um aumento da violência baseada em gênero ao longo das regiões fronteiriças. E os homicídios ali cresceram 28,7% de abril a junho em comparação com o mesmo período em 2019.

O fardo de procurar trilhas como opção aos postos de controle cai nas costas mais frágeis. O ACNUR registrou um aumento de 7% no número de mulheres que permanecem em seus três abrigos na cidade colombiana de Cúcuta, dedicados às vítimas de violência sexual, em comparação com o que aconteceu entre abril e agosto de 2019. Das 257 mulheres que o ACNUR apoiou, a agência diz que quase a metade tinha passado por violência.

Mas o aumento é anterior à pandemia. Em 2019, Profamilia, uma das principais organizações de direitos sexuais e reprodutivos da Colômbia, disse que ajudou 573 venezuelanas vítimas de violência sexual, um aumento de 92% em um ano. As regiões fronteiriças de La Guajira e Santander, onde Cúcuta está localizada, acumularam o maior número de ataques relatados.

Mais de 5.000 pessoas estão atualmente cruzando diariamente em ambas as direções através de trilhas, segundo a FundaRedes, uma ONG venezuelana que monitora os abusos dos direitos humanos nas fronteiras.

Desde o fechamento delas em março, os homicídios aumentaram 28,7% em comparação com 2019, informou a ONG. Os desaparecimentos subiram 83,3% com os aumentos mais acentuados na venezuelana Táchira, a região fronteiriça mais próxima a Cúcuta. O Projeto Fuller, organização de mídia voltada para relatos de abusos humanos, não recebeu uma resposta da polícia de fronteira venezuelana sobre estes aumentos.

“[Grupos armados ilegais] controlam o território. Eles ameaçam a integridade das mulheres, muitas vezes com o objetivo de tráfico sexual ou trabalho forçado”, disse Javier Tarazona, diretor da FundaRedes. “A COVID-19 tornou o contexto fronteiriço mais opressivo, mais violento”.

A história de Gabriela Ochoa

Se Gabriela Ochoa soubesse o que aconteceria com ela junto ao Rio Táchira, que divide a Venezuela e a Colômbia, ela nunca teria atravessado. Mas o desespero com a crise econômica no governo de Nicolas Maduro foi maior.

A mãe solteira de 21 anos de idade perdeu em 2019 seu emprego em uma quitanda de frutas e não podia mais alimentar seus três filhos pequenos, todos com menos de cinco anos de idade. Mas foi atacada.

“Eles tinham armas, facas, todo tipo de coisas”, lembrou Gabriela.

Os homens agarraram seus filhos e ameaçaram levá-los embora se ela não os pagasse para atravessar.

“Eu pensei que eles iam nos matar”, disse.

Em lágrimas, Ochoa argumentou que não tinha dinheiro e implorou que os deixassem atravessar o rio. Os homens a arrastaram para trás de um arbusto e a estupraram.

“Foi horrível. Graças a Deus, eles não machucaram as crianças”, desabafou.

Nos últimos meses, mais de 100.000 venezuelanos que inicialmente fugiram para a Colômbia e outros países da região voltaram à terra natal através de pontos de fronteira colombianos, de acordo com as autoridades de migração colombianas.

Mas estima-se que cinco milhões ou mais de venezuelanos permanecem fora do país, segundo o ACNUR, no que foi descrito como o maior deslocamento em massa desde o início da guerra civil da Síria em 2011.

Gabriela diz que, apesar da situação precária na Colômbia, ela não voltará para a Venezuela tão cedo.

“Pelo menos aqui temos comida e um lugar para ficar”, disse.

Depois que a Colômbia levantou as restrições de fechamento no início de setembro, centenas de venezuelanos começaram a fazer suas malas novamente, prontos para fugir de uma crise econômica e sanitária ainda mais desoladora. A fronteira, no entanto, ainda está oficialmente fechada. As trilhas continuam sendo o caminho. Para o bem ou para o mal.

*Sputniknews

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A Gazeta Brasil é um jornal brasileiro diário editado na cidade de São Paulo. Publica textos, fotos, vídeos no formato digital. Faz parte do grupo AZComm Comunicação e Eventos.
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