As Ilhas Galápagos estão bem diante da costa do Equador, a uma distância de cerca de 600 milhas (em torno de 1.000 km). Uma zona econômica exclusiva, de 200 milhas (320km), protege os litorais tanto do país sul-americano como do arquipélago.

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Mas bem no meio existe um espaço de 200 milhas de águas internacionais, fora, portanto, da jurisdição equatoriana. Exatamente lá os militares equatorianos avistaram, há duas semanas, cerca de 260 navios pesqueiros, a ampla maioria de bandeira chinesa.

A presença dessas embarcações preocupa as autoridades equatorianas. “Dissemos aos nossos amigos chineses que esse é um assunto que o Equador vê com muito mal-estar e que a sua população considera que deve ser encerrado”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Luis Gallegos, a uma radio local.

O Equador teme uma sobre-exploração da fauna marinha dessa área, o que poderia colocar em risco o delicado equilíbrio do ecossistema das Galápagos e levar à extinção de espécies. O arquipélago de Galápagos é Patrimônio Natural da Humanidade e conta com uma reserva marinha de 133 mil km².

Além disso, há o risco da contaminação das águas pelos dejetos de uma enorme frota pesqueira e o risco adicional da introdução de espécies, pois os navios carregam águas que podem trazer espécies de outros lugares, ameaçando assim a biodiversidade local.

O outro temor é que os navios entrem em águas equatorianas, como disse o ministro da Defesa, Oswaldo Jarrín, em entrevista à emissora Teleamazonas.

O presidente do conselho de governo das Galápagos, Norman Wray, disse à DW que a força naval equatoriana está patrulhando e monitorando os limites da zona econômica exclusiva para evitar qualquer ingresso desses pesqueiros. “Além disso, o governo deixou claro que, sem distinção de bandeira, fará respeitar os direitos marítimos do Equador”, acrescentou.

Segundo a ONG ambientalista Conservación Internacional Ecuador, a situação se repete pelo quarto ano consecutivo. “Estão pescando nessa zona, que é extraordinariamente rica por causa da confluência de correntes marinhas”, explica o diretor-executivo da ONG, Luis Suárez.

Os temores do governo equatoriano têm fundamento. Em 2017, um cargueiro chinês com 300 toneladas de fauna marinha. “Acredita-se que procuram lulas”, comenta Suárez, mas, segundo ele, na época foram encontrados 7.200 tubarões nos porões da embarcação, incluindo espécies ameaçadas, como o tubarão-martelo e o tubarão-seda.

As autoridades equatorianas não têm informações sobre o que exatamente os navios chineses fazem nas águas internacionais nem que quantidade de pesca retiram do oceano. “Apenas sabemos que é um número muito elevado”, comenta o cientista César Peñaherrera, diretor da Migramar, uma rede internacional de pesquisadores marinhos.

Peñaherrera alerta para o risco da pesca excessiva, que pode acabar com as populações de algumas espécies marinhas na região. “É uma situação muito preocupante”, constata. “Mas em águas internacionais é difícil regulamentar a pesca.”

Para ele, a solução é a cooperação regional, pois o Equador, sozinho, não tem como resolver o problema. “Equador tem o desafio de fechar acordos com Colômbia, Peru e Costa Rica, que são os países que têm conexão direta com as águas internacionais onde estão operando essas frotas e começar a trabalhar para que se aprovem regulamentações rígidas que permitem controlar o uso de recursos em águas internacionais.”

Nesta quarta-feira (29/07), o Equador solicitou uma assembleia extraordinária da Comissão Permanente do Pacífico Sul, uma aliança marítima estratégica entre o país e o Chile, a Colômbia e o Peru. Os países pretendem adotar uma ação conjunta para enfrentar o problema.

*Com informações da Agência DW