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Durante a Cúpula do Clima realizada em Belém, nesta sexta-feira (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou eventuais “atrasos” na transição energética e relacionou o salto de emissões de gases poluentes no mundo ao conflito entre Rússia e Ucrânia.
“O conflito na Ucrânia reverteu anos de esforços para redução de emissões de gases de efeito estufa e levou à reabertura de minas de carvão”, declarou o presidente. Um relatório recente da ONU (Organização das Nações Unidas) indica que o setor militar é responsável por entre 3,3% e 7% do total das emissões globais de gases de efeito estufa.
Na cúpula, Lula defendeu o uso do lucro proveniente de combustíveis fósseis para a implementação de fontes sustentáveis de energia. “Direcionar parte dos lucros com exploração de petróleo para transição energética permanece caminho válido para países em desenvolvimento”, afirmou.
A posição do presidente contraria recomendações de ambientalistas, que defendem que a transição energética seja acelerada devido às urgências climáticas.
O diretor-geral da ONU, António Guterres, destacou durante a abertura do evento que os países falharam ao tentar limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC em relação ao período pré-industrial. O representante da ONU afirmou ainda que falta “coragem política” para abrir mão dos combustíveis fósseis, apontando contradições, especialmente no caso brasileiro, onde a exploração de petróleo segue em expansão.
Lula também argumentou que países do Sul Global não dispõem de recursos necessários para realizar a transição energética e cobrou financiamento de dívidas como forma de apoiar essas nações. “Um processo justo, ordenado e equitativo de afastamento de combustíveis fósseis demanda acesso na tecnologia de acesso ao financiamento no Sul Global. Há espaço para explorar mecanismos inovadores e troca de dívida por financiamento de iniciativas de mitigação climática e transição energética”, disse.
O posicionamento do presidente ocorre pouco depois de a Petrobras ter recebido, em 20 de outubro, uma licença para pesquisar petróleo na Amazônia. A decisão gerou divisões políticas no governo e contou com apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre estava presente ao lado de Lula durante o discurso sobre transição energética, acompanhado do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que também defende a exploração de petróleo apesar dos riscos ambientais.