Entre nos nossos canais do Telegram e WhatsApp para notícias em primeira mão. Telegram: [link do Telegram]
WhatsApp: [link do WhatsApp]
O clima de celebração no Palácio do Planalto para a sanção do projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil foi marcado por uma crise política explícita. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiram não comparecer ao evento, gerando tensão e chamando atenção da imprensa.
O projeto, que amplia a faixa de isenção do IR e cria descontos progressivos para salários de até R$ 7.350, foi tratado pelo governo como uma medida com potencial de alavancar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva a um quarto mandato. No entanto, a ausência das duas principais autoridades do Congresso transforma o evento em símbolo do rompimento do diálogo entre o Planalto e o Legislativo.
Hugo Motta, atacado nas redes sociais pelo chamado “gabinete do ódio” do PT e por ministros do governo nas últimas semanas, rompeu com o líder do partido na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). Sua ausência, segundo analistas, fala mais do que mil palavras.
Já Davi Alcolumbre se sentiu desprestigiado após a escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF), preterindo o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), aliado de Alcolumbre. Em retaliação, o senador acelerou a pauta de um projeto que beneficia a aposentadoria de agentes de saúde, com impacto estimado em R$ 20 bilhões, aprovado recentemente no plenário do Senado.
Apesar das ausências, dois parlamentares envolvidos diretamente na tramitação do projeto confirmaram presença: o deputado Arthur Lira (PP-AL) e o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que, apesar de inimigos políticos em Alagoas, foram os relatores da proposta em suas respectivas Casas Legislativas. A divisão do protagonismo na medida também contribuiu para tensionar o evento.
Analistas políticos avaliam que, mais do que um ato de sanção do IR, o evento acabou expondo as fragilidades e disputas internas entre o governo federal e o Congresso, reforçando que a aprovação de medidas estratégicas pode enfrentar dificuldades nas próximas semanas.