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A Executiva Nacional do União Brasil decidiu, nesta segunda-feira (8), expulsar o ministro do Turismo, Celso Sabino, após meses de tensão entre o ministro e a cúpula da sigla. A decisão também determinou o cancelamento de sua filiação partidária e a dissolução do diretório estadual do Pará, que era comandado por Sabino.
A medida foi oficializada com o apoio de 3/5 dos integrantes da Executiva, seguindo parecer do Conselho de Ética do partido, emitido no final de novembro.
A ação contra Sabino começou no final de setembro, quando dirigentes do União Brasil no Pará o acusaram de desrespeitar orientações internas após a sigla emitir um ultimato exigindo que todos os filiados deixassem cargos no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O prazo dado pelo partido era de 24 horas.
A resolução previa que o descumprimento seria considerado infidelidade partidária, punível com suspensão ou expulsão. Sabino não deixou o cargo e acabou sendo suspenso por dois meses — afastamento que o retirou da presidência do diretório paraense, posição que lhe permitia nomear aliados e administrar recursos do fundo partidário.
Em meio à pressão, o ministro chegou a entregar uma carta de demissão ao presidente Lula, mas recuou antes que o pedido fosse efetivado. Dias depois, Sabino compareceu a uma reunião da Executiva Nacional do União Brasil afirmando que permaneceria no governo, contrariando a direção da legenda.
Aliados afirmam que Sabino resistia à pressão tanto da bancada do partido na Câmara quanto do presidente nacional da sigla, Antônio Rueda. O ministro esperava conseguir manter-se no governo até o início de 2026, quando ocorreria a desincompatibilização obrigatória para quem pretende disputar outros cargos.
Sabino já manifestou interesse em concorrer ao Senado em 2026 e conta, nos bastidores, com a sinalização de apoio do presidente Lula, mesmo sem alinhamento direto ao governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), aliado do petista.
Junto à expulsão, a Executiva determinou a dissolução do diretório estadual do Pará, substituído por uma comissão provisória responsável por reorganizar a estrutura partidária no estado. A decisão retira de Sabino o controle político sobre a sigla no Pará, base essencial de sua articulação regional.
A crise envolvendo Sabino faz parte de um movimento maior. Em junho, a Federação formada pelo PP e União Brasil anunciou o desembarque do governo Lula durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF, criando tensão dentro do Executivo.
Além de Sabino, a decisão afetou diretamente o ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA). Entretanto, diferentemente de Sabino, Fufuca não sofreu pressão do PP para deixar o governo. O partido demonstrou maior tolerância e permitiu que ele permanecesse à frente da pasta.
Fufuca segue desenvolvendo projetos estratégicos para o governo federal, como a criação da Universidade Federal do Esporte (UFEsporte), uma das principais encomendas políticas do presidente Lula para a área.
Com a expulsão, Celso Sabino perde sua vinculação partidária e deixa indefinida sua estratégia eleitoral para 2026. O ministro, contudo, permanece no comando do Turismo e mantém interlocução direta com o Palácio do Planalto.
Leia a íntegra da nota do União Brasil:
Celso Sabino não integra mais os quadros do União Brasil
A Comissão Executiva Nacional do União Brasil decidiu, durante reunião realizada na tarde desta segunda-feira (8), pela expulsão com cancelamento de filiação do deputado federal e atual ministro do Turismo, Celso Sabino.
A expulsão decorre de uma representação apresentada contra Sabino, que permaneceu no Governo Federal. em atitude contrária a uma determinação do partido anunciada em setembro envolvendo todos os filiados.
Atendendo a outra representação, a Comissão deliberou sobre a intervenção no Diretório Estadual do Pará, que passa a ser presidido por uma Comissão Executiva Interventora.