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O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) protagonizou um episódio incomum nesta terça-feira (9) ao ocupar a cadeira da presidência da Câmara dos Deputados durante a análise do Projeto de Lei da Dosimetria — proposta que prevê a redução das penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A atitude ocorreu pouco antes da votação de seu próprio processo de cassação, marcada para esta quarta-feira (10).
A ocupação não integrou uma manobra formal de obstrução prevista no regimento interno, o que tornou o ato inesperado até mesmo entre aliados. Ao assumir o assento do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), Glauber afirmou que permaneceria no local “até o limite de suas forças”.
“Eu vou me manter aqui firme até o final dessa história. Se o presidente da Câmara quiser tomar uma atitude diferente daquela que ele tomou com os golpistas que ocuparam essa mesa diretora e que até hoje não tiveram qualquer punição, essa é uma responsabilidade dele. Eu aqui ficarei até o limite das minhas forças”, declarou o parlamentar.
Após o gesto, seguranças da Casa Legislativa foram acionados e retiraram todos os deputados do plenário. A TV Câmara, responsável pela transmissão das sessões, também interrompeu o sinal oficial. Não houve confronto físico no local, mas o episódio provocou a suspensão das discussões em andamento.
O presidente da Câmara manteve para quarta-feira a análise em plenário do processo disciplinar contra o deputado. Glauber é acusado de quebra de decoro parlamentar após supostamente empurrar e chutar um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) durante um protesto no Congresso Nacional em abril. A denúncia foi acolhida pelo Conselho de Ética.
No momento da ocupação, os parlamentares participavam da fase inicial da sessão que pode votar o PL da Dosimetria. A proposta prevê reduzir penas de investigados e condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Se aprovado, o texto impactará diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, alvo de ações no Supremo Tribunal Federal e no Judiciário militar.
Glauber, um dos principais críticos do projeto, já havia se manifestado contra sua tramitação, classificando o PL como uma tentativa de “anistia indireta”.
A cassação do mandato de Glauber Braga deve ser discutida e votada nesta quarta-feira. Para que ele perca o mandato, são necessários ao menos 257 votos favoráveis, a maioria absoluta dos deputados.